Presidente anunciou pacote de ações ao MST, apareceu ao lado de líderes do PT e manteve silêncio que reacende incertezas sobre a sucessão na Bahia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Bahia nesta sexta-feira, 23 de janeiro, para participar do encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, realizado no Parque de Exposições, em Salvador. A visita, de forte simbolismo político, foi marcada por anúncios de investimentos na reforma agrária, encontros com lideranças do PT baiano e, sobretudo, pela ausência de declarações sobre o cenário eleitoral de 2026 no estado.
Lula desembarcou na capital baiana no meio da tarde, vindo de Maceió, acompanhado do governador Jerônimo Rodrigues, do vice-governador Geraldo Júnior, do ministro da Casa Civil Rui Costa e do senador Jaques Wagner. A composição da comitiva, sem a presença de Otto Alencar, Ângelo Coronel e outros caciques, chamou atenção nos bastidores políticos e alimentou especulações sobre o desenho da chapa governista para as próximas eleições, especialmente diante das discussões sobre a sucessão estadual e as vagas ao Senado.
No evento do MST, o presidente adotou um tom voltado à agenda social e anunciou um conjunto de medidas do programa Terra da Gente, com investimentos relevantes. Entre os anúncios estão a compra e desapropriação de terras em diversos estados, incluindo a Bahia, a criação de novos assentamentos, a liberação de crédito para habitação rural por meio da Caixa Econômica Federal e recursos do Incra para instalação de famílias assentadas. Lula destacou o compromisso do governo com a reforma agrária e com o fortalecimento da agricultura familiar, em um gesto de reaproximação com o movimento após cobranças públicas feitas ao longo do último ano.
Apesar do peso político do ato e da expectativa em torno de sua presença no estado, Lula não confirmou apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e evitou qualquer comentário sobre o cenário eleitoral de 2026 na Bahia. O silêncio ocorre após especulações envolvendo nomes para o senado, foi visto, internamente, como sinal de indefinição no comando político do PT baiano. Aliados avaliam que a ausência de um gesto público pode aumentar o desgaste e as indecisões no grupo de Jerônimo e talvez reacender as discussões sobre a disputa interna por espaço na sucessão estadual.
Nos bastidores, lideranças da base governista reconhecem que o debate sobre 2026 está em curso, mas afirmam que ainda é cedo para definições formais. Declarações recentes de dirigentes do PT e de aliados indicam que Lula deverá participar das decisões estratégicas, sem impor nomes, preservando o equilíbrio da coalizão que governa o estado.
Após o encerramento do encontro do MST, o presidente deixou Salvador no início da noite, retornando a Brasília no mesmo dia, conforme agenda oficial do Planalto. A passagem pela Bahia reforçou a centralidade do estado na estratégia política do governo federal, mas também deixou em aberto questões-chave sobre o futuro do grupo petista no comando do poder local.
