O Eco reafirma sua independência histórica, defende o direito do sertão e responde aos que confundem jornalismo crítico com oposição partidária
Nos últimos dias, setores extremistas tentaram desqualificar o Jornal O Eco com a acusação de que este veículo atuaria contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues. A investida revela mais sobre o desconforto de alguns com a imprensa livre do que sobre nossa verdadeira trajetória. Desde a fundação, há mais de três décadas, o Eco construiu credibilidade com base na independência editorial, na apuração responsável e na defesa permanente dos interesses do povo do interior da Bahia.
A história recente comprova esse compromisso. Nas eleições de 2022, quando parte expressiva da mídia reproduzia números contraditórios, fomos um dos primeiros jornais do estado e o único desta região a divulgar com clareza as pesquisas do Instituto ATLASINTEL. Registramos que confiávamos naquela metodologia e informamos aos leitores que os dados apontavam a vitória de Lula e de Jerônimo, resultado que se confirmou nas urnas. Esse posicionamento não foi gesto político, mas exercício de jornalismo sério, orientado pela busca da verdade.
Por isso é injusto e raso afirmar que nossas cobranças atuais representam ataque a governos eleitos. Questionar, fiscalizar e exigir políticas públicas não significa fazer oposição ideológica. Significa cumprir o papel social da imprensa. O Eco existe para dar voz aos municípios da Bacia do Paramirim, do Sertão Produtivo e da Chapada, territórios que por décadas conviveram com promessas não cumpridas e com a sensação de ser periferia da cidadania.
Nesta semana, o presidente Lula cumpre agenda oficial na Bahia ao lado do governador Jerônimo, parlamentares e autoridades. Estão previstas entregas de ambulâncias e anúncios de projetos do Novo PAC, conforme informou a Secretaria de Relações Institucionais do Estado. É oportunidade concreta para que lideranças locais reforcem, em Salvador, a defesa das pautas estruturantes de nossa região, especialmente a instalação do Hospital Regional do Vale do Paramirim e de uma universidade pública. Essa é a agenda que merece mobilização coletiva, e não ataques a quem a sustenta publicamente.
O editorial recentemente publicado por este jornal sobre o hospital regional expressa um drama real. Gestantes de alto risco, vítimas de acidentes, idosos e pacientes crônicos continuam sendo transportados por longas distâncias em busca de atendimento. A ausência de um centro de hemodiálise condena cidadãos a viagens exaustivas várias vezes por semana. Entre a dor e o socorro ergue-se a fila de regulação, sistema frio que transforma a saúde em espera angustiante. Essa situação não pertence a partido algum pertence à vida cotidiana do povo.
Defendemos que a unidade seja instalada em ponto estratégica da região, como Livramento de Nossa Senhora, Paramirim ou Macaúbas, obedecendo a critérios técnicos de acesso e fluxo populacional. Também sustentamos que todos os caminhos administrativos devem ser considerados, inclusive parcerias público privadas já testadas com êxito na Bahia, para que a obra saia do papel com rapidez e eficiência. Um hospital integrado a cursos de saúde poderia formar profissionais, gerar empregos e fixar médicos no interior, transformando-se em polo de desenvolvimento humano.
Nossa cobrança não é eleitoral, é civilizatória. Ao longo de décadas registramos histórias de famílias que perderam parentes nas estradas, de trabalhadores que aguardaram cirurgias tarde demais, de pacientes renais aprisionados a deslocamentos intermináveis. Essa memória impõe ao Eco o dever de continuar exigindo respostas concretas. Não nos movem interesses menores, mas, nesse momento, o direito constitucional à saúde e à educação.
Reafirmamos que o Hospital Regional do Vale do Paramirim, com centro de hemodiálise e serviços de alta complexidade, assim como a implantação de uma universidade pública, são compromissos inadiáveis. Seja por recursos diretos, seja por modelos inovadores de gestão, a solução precisa ganhar forma de concreto, leitos e profissionais. O silêncio institucional não pode substituir a responsabilidade pública.
Aos que tentam reduzir nosso trabalho a rótulos partidários, respondemos com a própria história. O Eco não se curva a governos, grupos econômicos ou paixões momentâneas. Nossa lealdade é com o leitor e com o povo do sertão. Continuaremos cobrando de Lula, de Jerônimo e de qualquer gestor que ocupe o poder, com respeito institucional e firmeza crítica, porque independência não é oposição, é dever democrático.
Seguiremos falando alto enquanto a região continuar viajando de ambulância em busca do direito básico de viver. O Eco não irá se calar quando o eco for pelo bem, por mais justiça social e pelos direitos fundamentais que nosso povo merece.
