Eterna gratidão à médica que transformou cuidado em missão de vida

A medicina, para alguns, é profissão. Para outros, destino. Para Drª Selma Helena Barroso de Souza Santos, foi missão sagrada. Durante quase cinquenta anos, essa mulher de coração gigante fez do cuidar um verdadeiro sacerdócio, acolhendo a dor alheia como quem acolhe um familiar, oferecendo além de diagnóstico e remédio, mas, sobretudo palavra de conforto, ânimo e amor.

O Jornal O Eco registra que não faz parte de sua linha editorial anunciar falecimentos. Mesmo reconhecendo que essa é uma das importantes atribuições da imprensa, sempre preferimos as homenagens em vida. No entanto, ao longo de décadas, buscamos inscrever na história dos municípios onde circulamos os exemplos de seres humanos que, em sua passagem pela terra, contribuíram de forma magnífica para o bem coletivo. Há figuras que jamais serão esquecidas pelos seus atos de bondade, retidão e comprovado amor ao próximo. Para Ibitiara, Drª Selma é uma dessas criaturas que muitas gerações lembrarão com uma única palavra, gratidão.

Vinda da capital nos anos 70, recém-formada, escolheu fincar raízes no interior e dedicar seu conhecimento ao povo simples de Ibitiara e região. Não fez fortuna na medicina, mesmo em tempos propícios para quem exerceu a profissão. Nasceu para servir, sem esperar recompensa. Atendeu em praticamente todas as comunidades do município, em épocas em que não havia postos de saúde, equipe de enfermagem ou equipamentos. Muitas vezes era apenas ela, sua coragem e sua fé na vida.

Trabalhou por longos anos no Hospital Padre Aldo Coppola, foi servidora pública do Estado da Bahia, dedicou-se à Prefeitura Municipal de Ibitiara, atuou também em Novo Horizonte e manteve consultório particular. Ainda assim, jamais negou atendimento a quem batesse à sua porta, fosse na clínica, fosse em sua própria residência. Mesmo após aposentada, seguiu cuidando da população, atualmente na UBS do Povoado de Lagoa do Dionísio, provando que sua vocação não conhecia descanso.

Ao lado do esposo, o também médico Dr. Edmundo, falecido em 2018, construiu uma história de serviço e humanidade. Hoje, deixa duas filhas, Geovanna e Janaína Barroso, três netas e uma multidão de filhos de coração espalhados por cada canto de Ibitiara. Em Novo Horizonte, na zona rural e nas ruas da cidade, o sentimento de tristeza é o mesmo, pela perda e reconhecimento por um legado que nenhuma ausência apagará.

Drª Selma curou dores e plantou empatia. Ensinou que a medicina começa no olhar e se completa no gesto de amor. Partiu em Salvador, aos 75 anos, após enfrentar problemas de saúde desde dezembro, mas permanece viva na memória de todos que tiveram o privilégio de cruzar seu caminho.

Nós, da família O Eco, unimo-nos ao prefeito de Ibitiara, que decretou luto oficial por três dias, e a toda população para render nossas mais sinceras homenagens à eterna Drª Selma. Que Deus conforte os corações de suas filhas e netas e que elas carreguem sempre o orgulho da pequena mulher de coração imenso, do ser humano que cumpriu com brilho a sua missão.

Ibitiara chora, mas também agradece. E a gratidão será para sempre o seu nome.