Wagner admite mal-estar com aliado histórico e vê apoio escapar enquanto Coronel avança nos bastidores políticos do município
O clima nos bastidores da política baiana ganhou novos contornos de tensão após o prefeito de Bom Jesus da Lapa, Eures Ribeiro, tornar público o distanciamento em relação ao senador Jaques Wagner. A declaração, que rompe a expectativa de alinhamento automático dentro da base governista, expôs um racha que vinha sendo tratado de forma discreta, mas que agora ganha peso estratégico na disputa pelo Senado em 2026.
Eures sinalizou que não garantirá apoio ao petista, apesar de já ter se posicionado ao lado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deve compor a chapa majoritária. Ao deixar a segunda vaga em aberto, o prefeito abriu espaço para articulações e indicou preferência indireta pelo senador Angelo Coronel, aliado de seu partido, que vem fortalecendo sua presença no município por meio do envio de emendas parlamentares.
A reação de Wagner veio em tom conciliador, mas sem esconder o desconforto. O senador reconheceu que há um mal-estar com o prefeito e atribuiu o desgaste à eleição municipal de 2024, quando decidiu apoiar a reeleição do então prefeito Fábio Lima, hoje adversário político direto de Eures. A escolha, segundo ele, seguiu uma lógica de defesa da continuidade administrativa, mas acabou gerando fissuras em uma relação construída ao longo de décadas.
Mesmo diante do cenário adverso, Wagner afirmou que pretende disputar politicamente o apoio do gestor lapense, indicando que a definição ainda está em aberto e será construída ao longo do processo eleitoral. Nos bastidores, porém, interlocutores avaliam que o movimento de Eures não é isolado e pode sinalizar uma reorganização de forças dentro da base aliada, especialmente no interior do estado, onde prefeitos têm ampliado seu poder de barganha.
O senador também demonstrou confiança na tradição política da Bahia, onde, historicamente, as eleições para o governo estadual e para o Senado caminham juntas, com o eleitorado tendendo a votar de forma alinhada com o grupo dominante. Ainda assim, o episódio em Bom Jesus da Lapa revela que essa lógica pode enfrentar resistências locais, sobretudo quando há disputas recentes mal resolvidas.
Enquanto o calendário eleitoral ainda está em fase inicial, o episódio já acende um alerta no grupo governista. A disputa pelo segundo voto ao Senado promete ser marcada por negociações intensas, reaproximações estratégicas e, possivelmente, novos embates públicos. Em Bom Jesus da Lapa, o que antes era tratado como alinhamento natural agora se transforma em um campo aberto de disputa política, com reflexos que podem ultrapassar os limites do município e influenciar o cenário estadual.
