Operação Compliance Zero avança sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e influência política em um dos maiores escândalos financeiros do país.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta feira uma nova etapa da Operação Compliance Zero e colocou o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, entre os principais alvos da investigação que apura um complexo esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e crimes contra o sistema financeiro nacional ligados ao chamado Caso Master. A ofensiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e representa um dos momentos mais sensíveis da apuração por atingir diretamente um dos líderes mais influentes do Centrão e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao senador no Distrito Federal e no Piauí. Segundo investigadores, a operação busca aprofundar suspeitas de que agentes políticos teriam atuado em favor de interesses ligados ao empresário Daniel Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como personagem central das irregularidades investigadas no Banco Master. A suspeita é de que articulações políticas e influência institucional tenham sido utilizadas para favorecer operações financeiras consideradas irregulares em troca de vantagens econômicas indevidas.
A nova fase da operação também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 18,85 milhões em bens e valores de investigados. A medida, segundo fontes da investigação, busca impedir movimentações financeiras capazes de dificultar o rastreamento do dinheiro supostamente envolvido no esquema. Além de Ciro Nogueira, outros nomes ligados ao núcleo financeiro do caso também foram atingidos por medidas cautelares. Entre eles está Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, que teve prisão temporária decretada.
A Operação Compliance Zero foi iniciada ainda em 2025 para investigar suspeitas de emissão de títulos fraudulentos, manipulação financeira, lavagem de dinheiro e uso irregular de fundos de investimento vinculados ao Banco Master. Desde então, a investigação passou a revelar uma rede de relações entre empresários, operadores financeiros e figuras políticas de alto escalão. O nome da operação faz referência à suposta ausência de mecanismos efetivos de controle interno e governança nas estruturas investigadas.
Nos bastidores de Brasília e do mercado financeiro, o Caso Master já é tratado como uma das maiores investigações financeiras do país nos últimos anos. Relatórios da Polícia Federal apontam indícios de movimentações bilionárias por meio de operações consideradas suspeitas, além da utilização de estruturas empresariais e financeiras para ocultar patrimônio e disfarçar a origem de recursos.
A investigação também avança sobre possíveis tentativas de obstrução das apurações. Em fases anteriores, investigadores identificaram suspeitas de pressão sobre agentes públicos, destruição de provas e movimentações destinadas a impedir o avanço das investigações. O caso ganhou ainda mais repercussão depois da prisão preventiva de Daniel Vorcaro em etapas anteriores da operação.
Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que ainda não teve acesso completo aos autos e, por isso, não comentaria o mérito das acusações. Aliados do senador classificaram a operação como prematura e negaram qualquer irregularidade envolvendo o parlamentar.
Com a entrada definitiva de lideranças políticas nacionais no radar da Polícia Federal, a expectativa é de que a Operação Compliance Zero provoque novos desdobramentos no Supremo Tribunal Federal e amplie a pressão sobre setores do sistema financeiro e da classe política em Brasília.
