Negociação de imóvel de R$ 15,8 milhões foi barrada por ordem de bloqueio de bens determinada pelo STF; episódio só veio a público um mês depois e intensifica o debate sobre as investigações envolvendo o senador

O senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado à época da operação, voltou ao centro das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero após vir à tona a informação de que tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo da Polícia Federal. A negociação, no entanto, não foi concluída porque o cartório de registro de imóveis já havia sido comunicado da ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso. A decisão judicial foi expedida em 17 de junho de 2026, véspera da deflagração da operação, e passou a produzir efeitos com as comunicações encaminhadas aos órgãos competentes em 19 de junho, impedindo a transferência da propriedade.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026 para apurar um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ao Banco Master. Segundo a investigação, Jaques Wagner é apontado como um dos supostos beneficiários centrais das vantagens econômicas investigadas. A Polícia Federal sustenta que o parlamentar teria recebido benefícios patrimoniais e financeiros superiores a R$ 8 milhões, incluindo a suspeita de aquisição de um apartamento de alto padrão por intermédio do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, além de outros repasses e vantagens. Os investigadores também apuram uma suposta atuação parlamentar em favor de interesses da instituição financeira, hipótese que é integralmente negada pelo senador.

A tentativa de alienação do terreno chamou a atenção porque ocorreu logo após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e antes da efetivação prática do bloqueio patrimonial. Com a comunicação da ordem judicial ao cartório de registro de imóveis, a transferência foi impedida, preservando o bem até eventual decisão definitiva da Justiça. O episódio, entretanto, permaneceu sob sigilo durante várias semanas. Embora a operação da Polícia Federal tenha sido divulgada em 18 de junho, a informação de que Jaques Wagner tentou vender o terreno de R$ 15,8 milhões e teve a negociação frustrada pelo bloqueio judicial somente veio a público em 18 de julho de 2026, quando o caso foi revelado pela imprensa, reacendendo o debate político sobre o andamento das investigações envolvendo o senador.

Desde o início da operação, Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em manifestações públicas, afirmou que jamais recebeu propina, declarou que seu patrimônio está regularmente informado à Receita Federal e sustentou que nunca atuou no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master. A defesa também apresentou pedido ao Supremo Tribunal Federal para anular as buscas realizadas pela Polícia Federal, alegando ausência de elementos que justificassem as medidas cautelares e sustentando que a atuação legislativa do senador jamais teve o objetivo de favorecer interesses privados.

Questionada especificamente sobre a tentativa de venda do terreno, a defesa limitou-se a informar que Jaques Wagner não comentará fatos que não estejam relacionados à sua campanha eleitoral. Em nota, declarou que “a defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral”, sem apresentar esclarecimentos sobre os detalhes da negociação.

As investigações da Operação Compliance Zero permanecem em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, Jaques Wagner não é réu, não houve denúncia formal apresentada pelo Ministério Público contra o parlamentar e a apuração prossegue para verificar se os elementos reunidos pela Polícia Federal serão suficientes para eventual oferecimento de ação penal.