Nova pesquisa Datafolha mostra polarização consolidada entre Lula e Flávio Bolsonaro e reforça que a eleição pode ser definida por uma parcela cada vez menor do eleitorado.

A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada neste fim de semana, expõe um retrato cada vez mais cristalizado da disputa presidencial de 2026. O levantamento indica empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno, ambos com 45% das intenções de voto. Outros 9% afirmam votar em branco ou nulo e 1% dizem não saber em quem votar. Os números revelam uma eleição marcada pela forte polarização e pela resistência dos núcleos de apoio de cada campo político, mesmo diante de desgastes, crises ou episódios controversos.
A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 13 de maio, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 00290/2026.
Um dos elementos mais relevantes do cenário é o fato de que a maior parte das entrevistas ocorreu antes da divulgação do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que ganhou repercussão nacional após revelações sobre pedido de apoio financeiro para produção audiovisual relacionada à trajetória do ex presidente Jair Bolsonaro. Isso significa que os próximos levantamentos poderão medir com maior precisão eventuais impactos políticos do caso. Até aqui, porém, os números sugerem que nem mesmo temas potencialmente desgastantes alteram imediatamente o comportamento dos eleitores mais identificados ideologicamente.
O fenômeno chama atenção porque reforça uma tendência observada nos últimos ciclos eleitorais brasileiros. O eleitorado parece cada vez mais dividido em blocos relativamente estáveis, nos quais escândalos, ataques ou narrativas adversárias têm capacidade limitada de provocar migração significativa de votos. Isso transforma uma pequena faixa de independentes, moderados e eleitores de baixa identificação partidária no verdadeiro campo de batalha da eleição.
A mesma pesquisa também mostra que saúde, educação, segurança pública e economia permanecem entre as principais preocupações dos brasileiros para o próximo presidente, enquanto segurança pública aparece entre os pontos mais criticados da atual gestão federal. O dado sugere que o debate eleitoral tende a migrar menos para embates ideológicos e mais para temas ligados ao cotidiano da população.
Mais do que apontar favoritos, a nova rodada do Datafolha revela uma eleição que entra em estágio de endurecimento. Em ambientes altamente polarizados, a disputa deixa de ser sobre converter adversários e passa a depender da capacidade de mobilizar bases, reduzir rejeições e conquistar uma parcela reduzida do eleitorado ainda aberta a mudar de posição. Em cenários assim, poucos pontos percentuais podem decidir o resultado final.
