Morte do acusado encerra buscas policiais, mas deixa perguntas sobre o avanço dos feminicídios e a incapacidade de impedir tragédias anunciadas.
Chegou ao fim nesta segunda-feira a fuga do homem apontado como principal acusado do feminicídio que abalou Vitória da Conquista e provocou revolta em toda a Bahia nos últimos dias. O suspeito de assassinar a jovem Yasmim da Silva Santos, de 25 anos, foi encontrado morto após confronto com equipes policiais durante buscas intensificadas na região próxima ao CEAVIC, nas imediações onde o corpo da vítima havia sido localizado. Segundo informações preliminares, o homem teria reagido à tentativa de abordagem efetuando disparos contra os policiais, dando início ao confronto. Baleado, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso ganhou enorme repercussão pela brutalidade do crime e pelas circunstâncias que antecederam a morte de Yasmim. A jovem foi retirada à força do imóvel onde estava por seu ex companheiro e, horas depois, encontrada morta com marcas de tiros em uma região próxima à central de abastecimento de Vitória da Conquista. Familiares e pessoas próximas relataram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, cenário que se repete em inúmeros casos de violência contra mulheres no país.
Embora a morte do acusado encerre a perseguição policial, não elimina a sensação coletiva de fracasso diante de mais uma vida interrompida pela violência de gênero. Permanecem as perguntas que surgem após cada feminicídio. Em que momento a tragédia poderia ter sido evitada. Quais sinais foram ignorados. Por que tantas mulheres continuam vulneráveis mesmo diante de históricos de ameaças, agressões e comportamentos possessivos.
A área onde ocorreu o confronto foi isolada para trabalho pericial e o corpo do suspeito encaminhado ao Instituto Médico Legal. Enquanto isso, familiares de Yasmim enfrentam o luto e uma dor irreversível. A jovem deixa um filho de seis anos, que crescerá marcado pela ausência da mãe e pelo impacto devastador de uma violência que segue avançando em números alarmantes na Bahia e no Brasil.
O desfecho policial encerra uma caçada, mas não encerra a urgência de respostas do Estado e da sociedade diante do feminicídio. Porque quando uma mulher perde a vida após ameaças, perseguições ou agressões anteriores, a sensação que permanece é de que a tragédia não aconteceu de forma inesperada, mas anunciada.
