Segundo o setor de revenda, alta de 17,5% nas distribuidoras é a maior desde que a Acelen assumiu a Refinaria de Mataripe e deve pressionar o orçamento das famílias

Novembro começou com uma notícia que pesa no bolso dos baianos. Desde domingo, dia 1º, o gás de cozinha vendido pela Acelen às distribuidoras está 17,5% mais caro. A estimativa do setor de revenda é de que o reajuste acrescente entre R$ 12 e R$ 15 ao preço do botijão de 13 quilos, utilizado nas residências. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia, este é o maior aumento aplicado desde que a empresa assumiu a operação da Refinaria de Mataripe, em dezembro de 2021.

Com a mudança, a tonelada do gás liquefeito de petróleo, o GLP, passou de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90. A diferença de R$ 693,30 atinge o fornecimento às distribuidoras e deve repercutir nos pontos de venda. O percentual de 17,5%, entretanto, não representa um aumento automático na mesma proporção para o consumidor. O valor cobrado pelo botijão dependerá do repasse realizado em cada estabelecimento e das condições de comercialização de cada região.

Robério Souza, representante do sindicato, afirmou que o impacto deverá ser percebido pelos consumidores nas próximas compras. A previsão de acréscimo de até R$ 15 reforça a preocupação com uma despesa essencial, que ocupa espaço no orçamento doméstico e reduz a margem disponível para alimentação, transporte e outras necessidades.

Em nota reproduzida pela imprensa, a Acelen informou que sua política de preços considera critérios de mercado, como o custo internacional do petróleo, a cotação do dólar e o frete. A companhia afirma que essas variáveis podem provocar oscilações tanto para cima quanto para baixo.

O aumento de novembro ocorre após uma sequência de altas e reduções ao longo de 2026. Conforme o histórico divulgado pelo setor, houve elevações em janeiro, abril, maio e junho, além de aproximadamente 9% em outubro. Também foram registradas quedas em fevereiro, julho e agosto. O novo percentual supera as demais altas relacionadas nesse levantamento. As oscilações no fornecimento, porém, não permitem concluir que todos os consumidores tenham recebido os mesmos repasses durante o período.

Para as famílias de menor renda, a preocupação vai além do percentual anunciado. O gás é indispensável ao preparo dos alimentos, e uma nova elevação exige reorganizar despesas que muitas vezes já estão no limite. Na capital e no interior, a dimensão efetiva desse impacto aparecerá nos preços praticados pelas revendas nas próximas compras.

Diante de um reajuste dessa magnitude, transparência na formação dos preços e acompanhamento pelos órgãos de defesa do consumidor são fundamentais. As justificativas comerciais precisam ser compreensíveis para quem paga a conta. Garantir acesso ao gás de cozinha é uma questão diretamente ligada à alimentação e à dignidade das famílias baianas.