Pesquisas divergentes para o governo e disputa apertada pelo Senado levam a eleição até a última hora e mostram um eleitor menos previsível e mais exigente

A Bahia e o Brasil chegam à véspera das eleições com uma certeza e muitas dúvidas. A certeza é que o eleitor tornou as disputas mais apertadas do que qualquer campanha gostaria. As dúvidas vêm justamente das pesquisas divulgadas na reta final, que apresentam retratos diferentes no cenário nacional e na corrida pelo Governo da Bahia, enquanto a disputa pelas duas vagas ao Senado também permanece acirrada.

Na Bahia, a última Paraná Pesquisas, divulgada pelo Bahia Notícias, coloca ACM Neto numericamente à frente de Jerônimo Rodrigues e ligeiramente acima da marca necessária dos votos válidos para uma definição no primeiro turno. Considerando todos os entrevistados, porém, os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Já a rodada final da AtlasIntel em parceria com o A TARDE, apresenta fotografia inversa, com Jerônimo na dianteira e também acima dos 50 por cento dos votos válidos. Dois levantamentos divulgados praticamente ao mesmo tempo e que apontam cenários distintos sobre quem chega à frente.

Mais do que alimentar a já conhecida guerra de pesquisas, essa divergência recomenda prudência. Cada levantamento é uma fotografia de determinado momento, construída a partir de metodologia, amostra e forma de coleta próprias. Quando pesquisas da reta final apresentam cenários diferentes, o mais responsável não é escolher aquela que melhor atende às preferências de cada lado, mas reconhecer que a resposta definitiva pertence ao eleitor e estará nas urnas.

No Senado, a AtlasIntel mantém Rui Costa e Jaques Wagner nas duas primeiras posições, mas mostra Ângelo Coronel e João Roma logo atrás. A proximidade entre Wagner, Coronel e Roma mantém aberta a expectativa em torno da segunda vaga e ajuda a explicar a intensa movimentação das campanhas nos últimos dias. Com duas escolhas disponíveis para cada eleitor, a composição final permanece como uma das grandes incógnitas deste domingo.

Há algo positivo nesse ambiente de incerteza. Eleições apertadas obrigam governos, oposições e candidatos a disputarem cada voto e revelam uma sociedade menos disposta a entregar antecipadamente suas escolhas. O acirramento pode ser visto como sinal de amadurecimento democrático. A democracia se fortalece quando diferentes projetos precisam convencer uma sociedade que não aceita mais ser tratada como território eleitoral previamente conquistado.

Nem tudo, porém, esteve à altura desse amadurecimento. A campanha termina deixando uma lacuna no confronto direto de ideias. Na Bahia, os principais adversários chegaram à reta final sem proporcionar ao eleitor todos os encontros que poderiam ter ocorrido. No cenário nacional, o cancelamento do último debate presidencial previsto pela TV Globo também retirou dos brasileiros uma oportunidade de comparação direta entre candidatos. Independentemente das justificativas de cada lado, quem perdeu foi o eleitor.

É justamente por reconhecer a soberania desse eleitor que O Eco chega ao fim de mais uma campanha sem pretender antecipar aquilo que somente as urnas podem responder. O jornal não realizou pesquisas estaduais para governador e senador nem levantamentos nacionais para presidente e, portanto, não possui base própria para apontar favoritos. Diante de pesquisas públicas tão divergentes e disputas tão acirradas, cravar vencedores seria substituir informação por torcida.

A participação do Jornal O Eco ocorreu onde está a essência de sua trajetória, nos municípios e na região que acompanha diariamente. Durante a campanha, o Instituto de Pesquisas de Opinião Pública O Eco realizou levantamentos internos em diferentes cidades, acompanhando movimentos locais e oferecendo informações que ajudaram gestores e lideranças a compreenderem a evolução do cenário eleitoral, especialmente o posicionamento dos candidatos a deputado que disputam votos na região.

Esses levantamentos não substituem pesquisas estaduais nem permitem projeções para toda a Bahia. Sua finalidade é outra, especialmente medir as votações para deputados e retratar o comportamento político das comunidades pesquisadas. Foi nesse território que O Eco acompanhou agendas, ouviu lideranças, observou movimentos e analisou cenários, procurando registrar aquilo que o eleitor sinalizava em cada momento da campanha, sem transformar fotografia em sentença ou prognóstico em resultado.

Neste domingo à noite, quando as urnas falarem, será possível confrontar os resultados regionais com os cenários identificados nesses levantamentos internos, especialmente em relação ao desempenho dos candidatos a deputado nos municípios pesquisados.

Quanto ao Governo da Bahia e à Presidência da República, permanece a cautela. O Eco não realizou pesquisas próprias em escala estadual ou nacional e não aponta vencedor. Os levantamentos disponíveis oferecem fotografias diferentes e, em alguns casos, contraditórias. Diante de tamanho equilíbrio, ninguém pode tratar prognóstico como resultado. A resposta que vale não sairá de institutos, campanhas ou redes sociais. Sairá das urnas.

Talvez essa seja a melhor imagem para encerrar uma eleição tão disputada. Ninguém é dono do voto antes que ele seja depositado. Governo precisa conquistar, oposição precisa convencer e candidato precisa merecer a confiança do eleitor.

O Eco chega a mais um pleito com a consciência do dever cumprido no espaço que escolheu ocupar há décadas, olhando para os municípios, ouvindo suas populações e buscando traduzir com independência os movimentos de uma região que também quer ser ouvida.