Reeleição de Jerônimo e vitória petista no Senado fortalecem o grupo governista no estado, enquanto disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro transfere as atenções para o segundo turno presidencial
A Bahia encerrou o primeiro turno com uma definição clara no cenário estadual. Jerônimo Rodrigues conquistou a reeleição, enquanto Rui Costa e Jaques Wagner garantiram as duas vagas em disputa para o Senado, resultado que mantém o PT em posição de força na política baiana.
A eleição nacional, entretanto, ainda está longe de terminar. Flávio Bolsonaro e Lula avançaram para o segundo turno depois de uma disputa apertada, transferindo imediatamente as atenções das lideranças estaduais para a corrida presidencial.
A Bahia terá peso importante nessa nova etapa. Estado historicamente favorável ao PT nas últimas eleições presidenciais, deverá novamente ocupar posição estratégica nos cálculos da campanha de Lula. Do outro lado, Flávio Bolsonaro terá como desafio reduzir essa diferença e conquistar uma parcela maior do eleitorado baiano, enquanto tenta preservar e ampliar as vantagens obtidas em outras regiões do país.
Para Jerônimo Rodrigues e seu grupo político, o resultado estadual também traz uma responsabilidade natural. Governador, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e demais lideranças que apoiam Lula deverão concentrar esforços na tentativa de ampliar sua votação na Bahia. Não se trata mais da sobrevivência eleitoral do governo estadual, já assegurada nas urnas, mas da disputa pelo comando do país e da definição de quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos.
A possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro também coloca em discussão como seria a relação entre um governo federal comandado por um campo político adversário e uma Bahia governada pelo PT. Independentemente das diferenças partidárias, qualquer presidente eleito terá o dever constitucional de tratar os estados de maneira republicana, assegurando investimentos, programas e transferências previstas em lei.
Ainda assim, não se pode ignorar o componente político. Grandes projetos baianos dependem de diálogo permanente entre Salvador e Brasília, especialmente nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, segurança hídrica e desenvolvimento regional. Uma eventual mudança no comando federal exigiria de Jerônimo capacidade ainda maior de articulação institucional para defender os interesses do estado.
O segundo turno, portanto, abre uma disputa diferente. Lula precisará transformar a força eleitoral que possui na Bahia em uma vantagem ainda maior. Flávio Bolsonaro tentará avançar justamente onde seu adversário historicamente é mais forte. Aos prefeitos e demais lideranças caberá defender seus candidatos, mas também preservar o respeito à liberdade de escolha do eleitor.
A Bahia já decidiu quem governará o estado e quem a representará nas duas vagas do Senado. Agora, como todo o país, volta os olhos para Brasília.
A campanha recomeça praticamente do zero. E, acima dos interesses partidários, permanece uma obrigação que valerá para qualquer vencedor do segundo turno. A Bahia não poderá ser premiada nem penalizada pela sua escolha nas urnas. O próximo presidente terá o dever de governar para todos
