Flávio Bolsonaro sai do primeiro turno na frente e obriga o presidente a reagir, aumentando a pressão sobre prefeitos e lideranças governistas no maior reduto lulista do país
O primeiro turno mudou o roteiro da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula e chega fortalecido à etapa decisiva, impulsionado por uma onda conservadora que contrariou parte das expectativas construídas pelas pesquisas e colocou o presidente diante de uma disputa ainda mais difícil.
Mais do que a pequena diferença entre os dois, as urnas deixaram um recado político. Lula não conseguiu transformar a força de sua máquina partidária e de suas alianças em vantagem nacional, enquanto Flávio cresceu na reta final e conseguiu mobilizar o eleitorado de direita. Agora, começa praticamente uma nova eleição, na qual os votos dos candidatos eliminados, as abstenções e a capacidade de mobilização das duas campanhas serão determinantes.
É nesse cenário que a Bahia ganha peso ainda maior. Tradicionalmente um dos maiores redutos eleitorais de Lula, o estado poderá ser fundamental para compensar vantagens de Flávio em outras regiões. Isso aumenta naturalmente a responsabilidade dos prefeitos, deputados, vereadores e demais lideranças baianas que apoiam o presidente. A ampla estrutura política governista será colocada à prova e precisará demonstrar nas urnas sua real capacidade de mobilização.
Para Lula, portanto, não basta vencer novamente na Bahia. Politicamente, sua campanha precisará ampliar a diferença no estado enquanto tenta recuperar terreno no restante do país. Para Flávio, o desafio será conter essa vantagem baiana, conquistar os eleitores que ficaram sem candidato e preservar a força demonstrada no primeiro turno.
O Brasil chega ao segundo turno dividido praticamente ao meio. Flávio parte na frente, Lula precisa reagir e a Bahia, pelo tamanho de seu eleitorado e pela histórica vantagem petista, passa a ocupar posição estratégica nessa batalha. As próximas semanas mostrarão se a poderosa base política construída pelo lulismo no estado conseguirá transformar sua capilaridade em votos suficientes para ajudar a mudar o resultado nacional.
