Lula e Flávio protagonizam a disputa presidencial mais apertada em décadas, enquanto ACM Neto e Jerônimo chegam ao domingo separados mais pelas pesquisas do que por uma vantagem segura

O Brasil acordou neste domingo diante de uma eleição que as pesquisas não conseguiram resolver. Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar e Lula e Flávio Bolsonaro chegam às urnas praticamente lado a lado, confirmando uma polarização que cresceu justamente na reta final da campanha.

O último Datafolha ajuda a dimensionar esse equilíbrio. Lula aparece com 45 por cento dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42 por cento, configurando empate técnico. São apenas três pontos separando os dois primeiros colocados, a menor diferença registrada pelo instituto numa pesquisa de véspera do primeiro turno desde 1989. Em 2022, para efeito de comparação, Lula chegou à votação com vantagem de 14 pontos sobre Jair Bolsonaro no Datafolha. Agora, Flávio chega em trajetória de crescimento e suficientemente próximo para alimentar até a possibilidade de terminar o primeiro turno na liderança.

A definição da Presidência neste domingo é possível matematicamente, mas aparece como hipótese remota. Para liquidar a eleição agora, Lula ou Flávio precisaria ultrapassar 50 por cento dos votos válidos, marca que nenhum deles alcança no resultado central do Datafolha. Movimentos de última hora, voto útil e principalmente a abstenção podem alterar o quadro, mas o cenário predominante continua apontando para um segundo turno.

Na Bahia, o eleitor chega às urnas diante de incerteza semelhante. A polarização entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues praticamente eliminou os demais concorrentes da disputa real pelo Palácio de Ondina, mas as pesquisas terminaram contando histórias diferentes. A Quaest fechou a campanha com Jerônimo registrando 52 por cento dos votos válidos contra 48 por cento de ACM Neto. Já a Paraná Pesquisas apresentou o quadro invertido, com Neto alcançando 50,3 por cento dos válidos e Jerônimo 48,4 por cento. Nos dois levantamentos, a distância entre os adversários está dentro das respectivas margens de erro.

É justamente essa divergência que torna a eleição baiana ainda mais instigante. Enquanto uma pesquisa sugere Jerônimo com possibilidade de ultrapassar a barreira necessária para vencer no primeiro turno, outra coloca ACM Neto ligeiramente acima dela. Estatisticamente, portanto, continuam abertas tanto a possibilidade de segundo turno quanto, dentro das margens de erro, uma definição já neste domingo.

Brasil e Bahia chegam assim ao momento em que pesquisa deixa de ser notícia e passa a valer apenas o voto depositado na urna. Lula ou Flávio na frente. Neto ou Jerônimo na Bahia. Segundo turno ou, numa surpresa maior, alguma definição antecipada.

Depois de semanas de números divergentes e uma verdadeira guerra de pesquisas, chegou a única pesquisa que não tem margem de erro. A das urnas.