Moradores, pescadores e marisqueiros de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (3) para cobrar o pagamento imediato de indenizações prometidas às famílias afetadas pela contaminação da praia da região. O ato ocorreu nas proximidades da Base Naval e bloqueou temporariamente a circulação de veículos e transporte coletivo, gerando impactos na rotina local antes de ter o tráfego normalizado pelas autoridades.
A mobilização reflete o desgaste e a situação de vulnerabilidade enfrentada por cerca de 950 pessoasimpactadas diretamente pelo desastre ambiental. Atividades tradicionais como a pesca artesanal, a mariscagem e o comércio informal na faixa de areia continuam inviabilizadas, privando centenas de famílias de sua principal fonte de subsistência e renda diária.
Impacto econômico e escassez de suporte básico
Durante o protesto, trabalhadores relataram o acúmulo de dívidas, o bloqueio de cartões de crédito e a perda de equipamentos de trabalho que ficaram inutilizados com a interrupção das atividades na praia. A distribuição de cestas básicas por parte dos responsáveis foi apontada pela comunidade como insuficiente para suprir as necessidades alimentares de famílias numerosas e daqueles que arcam com despesas de aluguel.
Além da perda financeira, a falta de respostas definitivas sobre a descontaminação da área gera incerteza generalizada. Comércios locais permanecem fechados por precaução e para proteger crianças de eventuais riscos à saúde, agravando o cenário de crise econômica no subúrbio soteropolitano.
Origem da contaminação e investigações em curso
O problema ambiental teve início em fevereiro deste ano, após um episódio de vazamento de substâncias químicas em estruturas de drenagem de um terminal marítimo local, envolvendo as empresas Gerdau e Intermarítima. Análises laboratoriais realizadas pelo Inema confirmaram a presença expressiva de cobre e nitrato amoniacal no local, provocando a morte de animais marinhos e a interdição das atividades na faixa litorânea.
Pesquisadores da Ufba e da Fiocruz identificaram dezenas de pessoas com sintomas potencialmente associados ao contato com os elementos químicos. Em resposta aos danos, o Inema aplicou multas milionárias às companhias envolvidas, enquanto a Justiça Federal da Bahia determinou o bloqueio de bens para assegurar futuras reparações.
Negociações e o impasse sobre as reparações
Representantes de órgãos como o Ministério Público da Bahia e o Ministério Público Federal participaram de reuniões com as empresas para a formulação de um Termo de Ajustamento de Conduta prevendo valores compensatórios. No entanto, os manifestantes apontam que os recursos financeiros ainda não chegaram aos moradores afetados.
Enquanto as companhias investigadas discutem responsabilidades de forma jurídica e a Prefeitura de Salvador mantém a situação de emergência na região, a comunidade segue cobrando celeridade e medidas efetivas de recuperação ambiental e social. Continue acompanhando O Eco Jornal para se manter informado sobre os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes para o país.
