Com vantagem nas pesquisas e apoio de adversários derrotados, Flávio Bolsonaro chega fortalecido ao segundo turno. Lula aposta em novas estratégias, na mobilização popular e na força do Nordeste para tentar mudar o rumo da eleição.

A disputa pela Presidência da República entra em sua reta decisiva com Flávio Bolsonaro em vantagem numérica. A última pesquisa Datafolha aponta 52% dos votos válidos para Flávio, contra 48% para Lula, configurando empate técnico no limite da margem de erro. Fortalecido pelo resultado do primeiro turno e pelo apoio de importantes lideranças ligadas aos candidatos derrotados, Flávio chega ao confronto final em posição favorável, enquanto Lula enfrenta o desafio de recuperar terreno em pouco mais de duas semanas.

Mas existe um fator que pode mexer com essa disputa. Nada menos que 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno, uma abstenção de 21,08%. É justamente nesse universo de eleitores ausentes que surge uma possibilidade matemática de mudança, embora ainda distante de qualquer previsão segura.

Imaginemos que 60% desses eleitores, aproximadamente 20 milhões de brasileiros, decidam comparecer no dia 25 de outubro. Se 70% votassem em Lula e 30% em Flávio, seriam 14 milhões de votos para o petista e 6 milhões para o adversário, uma diferença de 8 milhões favorável ao presidente. Numa simulação com 120 milhões de votos válidos iniciais, distribuídos conforme o Datafolha, esse acréscimo poderia inverter o placar, levando Lula a 51,14%, contra 48,86% de Flávio.

É uma hipótese ousada, não uma previsão. A pesquisa já considera preferências de eleitores que podem ter faltado no primeiro turno, e não há garantia de que os ausentes compareçam ou votem nessa proporção. Ainda assim, os números mostram como a participação eleitoral pode fazer diferença numa disputa apertada.

Lula sabe que não basta contar com seus eleitores tradicionais. Sua campanha busca mudar estratégias, ampliar alianças, recuperar a confiança de indecisos e intensificar a presença nas ruas. O desafio é grande, especialmente diante do crescimento político de Flávio e da adesão de importantes setores da oposição à sua candidatura.

Nesse cenário, o Nordeste volta a ganhar protagonismo. A região, onde Lula mantém vantagem nas pesquisas, reúne milhões de eleitores que não participaram do primeiro turno. Na Bahia, maior colégio eleitoral nordestino, a mobilização de prefeitos, deputados, lideranças comunitárias e movimentos políticos poderá influenciar o comparecimento e, consequentemente, o resultado nacional.

Faltando pouco para a decisão, Flávio tem a vantagem numérica e Lula enfrenta uma difícil missão de recuperação. Uma virada exigiria mudanças expressivas no comportamento do eleitorado, especialmente entre os ausentes e indecisos. Não seria uma tarefa simples, mas a matemática mostra que diferentes cenários ainda são possíveis.

No próximo dia 25, mais do que a força dos palanques ou os números das pesquisas, será a presença do eleitor e sua escolha que definirão o futuro político do Brasil.