Briga pelo governo da Bahia segue acirrada. Votação de Lula no estado diminuiu e preocupa militância

Rui Costa continua aparecendo na dianteira da corrida pelo Senado, mas a grande mudança das últimas semanas está na disputa pela segunda cadeira. Jaques Wagner, que durante boa parte da campanha ocupou uma posição mais confortável, passou a enfrentar uma concorrência direta de João Roma e Ângelo Coronel. A movimentação já havia aparecido com força em levantamentos anteriores e ganhou novo impulso nas pesquisas mais recentes, confirmando que a disputa está longe de estar definida.

O movimento de Roma é particularmente visível. O candidato do PL já havia alcançado Wagner em situação de empate técnico em pesquisa divulgada no início de setembro e continua no mesmo bloco competitivo nos levantamentos seguintes. Coronel também vem crescendo e, nas pesquisas publicadas hoje, aparece praticamente lado a lado com Roma e Wagner. O quadro transforma a segunda vaga em uma das principais incógnitas da eleição baiana.

A situação é ainda mais relevante porque o eleitor baiano terá de escolher dois nomes para o Senado. Com isso, a distribuição do segundo voto pode ser determinante para o resultado. Os levantamentos também revelam uma parcela expressiva do eleitorado ainda em movimento, o que mantém aberta uma disputa que, até pouco tempo atrás, parecia mais concentrada entre os candidatos do grupo governista.

No caso da disputa pelo Governo da Bahia, conforme já havia adiantado o jornal O Eco, a guerra de pesquisas está se intensificando e tentando confundir parte do eleitorado. A situação de proximidade dos números e a dissonância de interpretações aumentou. ACM Neto apareceu numericamente à frente na maioria das pesquisas recentes, inclusive no levantamento do Instituto Veritá divulgado nesta quarta-feira, mas os números variam bastante de acordo com o instituto e a metodologia. Já a atlasIntel, mesmo apresentando empate técnico, mostrou uma fotografia diferente, com Jerônimo Rodrigues numericamente à frente, sem que houvesse um fator convincente. Tudo, no entanto, gira dentro de um cenário de proximidade com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

Essa alternância ajuda a explicar a sensação de uma eleição particularmente instável na Bahia. A chamada guerra de pesquisas, expressão que ganhou espaço nos últimos dias e foi destacada pelo jornal O Eco, acabou se tornando parte da própria dinâmica eleitoral. De um levantamento para outro, as posições se alteram, as distâncias aumentam ou diminuem e diferentes institutos apresentam fotografias distintas do mesmo momento. Para o eleitor, o resultado é uma sucessão de sinais aparentemente contraditórios a poucos dias da votação.

No cenário presidencial, a Bahia continua apresentando uma fotografia diferente daquela observada na disputa nacional. As pesquisas divulgadas hoje mantém Lula com vantagem sobre Flávio Bolsonaro. No entanto a votação do presidente vem caindo se comparada ao pleito de 2022. Lula tem hoje cerca de 58% entre os eleitores baianos, enquanto na eleição de 2022 ele ultrapassou a casa dos 70 por cento. No que se refere ao conjunto do país o quadro ficou muito mais apertado nas pesquisas recentes. Os levantamentos nacionais mostram empate técnico entre os dois em uma simulação de segundo turno, demonstrando também uma disputa bastante competitiva.

Assim, a reta final reúne três disputas com características distintas. Na corrida presidencial Lula precisa melhorar na Bahia, para tentar a reeleição a nível de Brasil, pois a polarização se acentuou. Na Bahia, a disputa pelo governo permanece aberta e sujeita a oscilações entre os institutos até o dia votação. E no Senado, a grande novidade é o embaralhamento da segunda vaga, com Roma e Coronel cada vez mais próximos de Wagner. É justamente essa combinação de movimentos que faz da eleição baiana uma das mais imprevisíveis da reta final.