
Depois de ganhar a fama como a “droga da obediência” por ser muito receitada para crianças com sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o metilfenidato – mais conhecido pelo nome comercial Ritalina –, vem agora sendo usado de forma indiscriminada e, na maioria das vezes, sem orientação médica por estudantes e concurseiros.
“Ainda não existem muitas pesquisas clínicas sobre os efeitos e consequências desse uso por pessoas saudáveis, mas o que já se tem notícia é que a Ritalina é uma medicação com grande risco de abuso e classificada pela ONU entre os grupos de maior perigo para a saúde”, alerta.
A estudante de farmácia, Daniele Santos, 25, também conta que usou a Ritalina por dois anos sem indicação médica. “O meu objetivo era ter mais concentração, mas sentia muitos efeitos colaterais, como irritabilidade, corpo cansado e insônia”, comenta.
Consumo. De 2010 para 2013, o número de caixas de Ritalina vendidas no Brasil passou de 2,1 milhões para 2,6 milhões, de acordo com os dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para tentar entender o uso do medicamento, Denise entrevistou 11 homens e cinco mulheres, entre 23 e 48 anos, e percebeu que a maioria dos entrevistados que usavam a droga tiveram a indicação primeiramente de um amigo. Por isso, ela acredita ser difícil avaliar até onde os resultados significavam um efeito do próprio remédio ou como se fosse um placebo, uma vez que os usuários já sabiam do funcionamento da Ritalina.
Além disso, as entrevistas demonstraram que, quando a medicação foi receitada por médicos, as indicações eram para cansaço, falta de concentração e distração nos estudos. “Hoje em dia, as pessoa são muito mais requisitadas para ter uma maior disciplina da atenção e isso torna qualquer falha mais prejudicial, fazendo com que elas se pareçam mais desatentas. O papel do médico e dos remédios na vida das pessoas mudou”, afirma.
Para Denise, como o medicamento favorecia que os usuários se concentrassem em atividades chatas, eles acabavam não avaliando se era isso mesmo o que eles queriam da própria vida ou não. “O remédio aumentava o ritmo sem que eles fizessem uma avaliação”, afirma.
Sem efeito. Segundo Denise Barros, alguns alunos mostraram melhora na concentração e no rendimento nas primeiras quatro semanas, mas o efeito não continuou depois.
