Sequência de levantamentos nacionais coloca a corrida presidencial sob os holofotes e começa a revelar uma disputa cada vez mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro
A corrida pela Presidência entra em uma semana decisiva. A menos de um mês do primeiro turno, uma sequência de pesquisas nacionais promete oferecer uma visão mais clara sobre o comportamento do eleitorado e as tendências que poderão marcar a reta final da eleição.
A semana começou na segunda feira, 7 de setembro, com a Quaest. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 36 por cento das intenções de voto no primeiro turno, contra 29 por cento do senador Flávio Bolsonaro. No cenário de segundo turno, os dois apareceram rigorosamente empatados, com 41 por cento cada. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Nesta terça feira, 8 de setembro, a 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus trouxe um novo retrato da disputa. Lula permanece na liderança do primeiro turno, agora com 39 por cento, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 35 por cento. A diferença entre os dois é de quatro pontos percentuais.
O dado que mais chama atenção aparece no eventual segundo turno. Flávio Bolsonaro registra 46 por cento e Lula 45 por cento. É a primeira vez na série BTG/Nexus que o candidato do PL aparece numericamente à frente do petista nesse confronto. A diferença de apenas um ponto, entretanto, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Portanto, tecnicamente, o resultado continua indicando empate.
É justamente aí que os números precisam ser tratados com responsabilidade. Não seria correto afirmar que Flávio Bolsonaro assumiu uma liderança estatisticamente consolidada sobre Lula. O que a pesquisa permite dizer é que houve uma inversão numérica e que a disputa direta entre os dois está extremamente apertada. Na rodada anterior da Nexus, Lula aparecia com 46 por cento e Flávio com 45. Agora, os percentuais se inverteram.
Quando Quaest e Nexus são observadas em conjunto, surge uma informação política relevante. Os percentuais encontrados pelos dois institutos são diferentes, mas ambos apontam para uma eleição muito equilibrada em eventual segundo turno. Na Quaest, 41 a 41. Na Nexus, 46 a 45 para Flávio. No primeiro turno, entretanto, Lula continua liderando os dois levantamentos.
A semana ainda reserva novas fotografias desse cenário. Nesta quarta feira, 9 de setembro, são esperadas pesquisas dos institutos Ideia e Palver. Na quinta, 10, as atenções estarão voltadas para a AtlasIntel. Na sexta feira, 11, o Datafolha fecha uma sequência que poderá ajudar a esclarecer se o equilíbrio observado até agora representa uma tendência mais consistente ou apenas oscilações naturais entre diferentes levantamentos.
Essa comparação exige cuidado porque os institutos trabalham com metodologias diferentes. Quaest e Datafolha realizam entrevistas presenciais. Nexus e Ideia utilizam entrevistas por telefone, enquanto AtlasIntel e Palver trabalham com levantamentos pela internet. Essa diversidade ajuda a explicar por que um mesmo candidato pode aparecer com percentuais diferentes em pesquisas divulgadas praticamente no mesmo período.
Por isso, mais importante do que comparar simplesmente um número de um instituto com o de outro é acompanhar a trajetória de cada pesquisa. Se um candidato tinha determinado percentual e começa a crescer ou cair sucessivamente dentro da mesma metodologia, existe um sinal a ser observado. Quando diferentes institutos passam a indicar movimentos semelhantes, essa tendência ganha ainda mais relevância.
Há também um componente político especial nesta rodada. Os levantamentos foram a campo depois da repercussão das mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Parte das pesquisas posteriores poderá captar também eventuais reflexos das manifestações realizadas durante o fim de semana do feriado da Independência.
Mesmo assim, seria precipitado atribuir qualquer mudança nas intenções de voto diretamente a esses acontecimentos. Pesquisa eleitoral registra o momento em que as entrevistas foram realizadas. Para afirmar que determinado fato político provocou crescimento ou queda de um candidato é necessário observar a continuidade do movimento nas rodadas seguintes.
É justamente isso que torna esta semana especialmente importante. As primeiras pesquisas mostram Lula ainda na liderança do primeiro turno, enquanto o confronto direto com Flávio Bolsonaro se apresenta muito mais apertado. Os levantamentos que chegam até sexta poderão confirmar essa aproximação, mostrar estabilidade ou apresentar uma direção diferente.
Pesquisa não é previsão do resultado das urnas. É uma fotografia estatística do eleitorado em determinado momento, sujeita à margem de erro, metodologia, composição da amostra e período de coleta. Dentro das regras da legislação eleitoral, sua divulgação deve servir à informação e ao debate democrático, nunca à criação artificial de vencedores ou derrotados.
Nesta reta final, portanto, menos importante será comemorar quem ganhou ou perdeu um ponto em uma pesquisa isolada. O fundamental será acompanhar a tendência. Se Ideia, Palver, AtlasIntel e Datafolha reforçarem o equilíbrio já encontrado por Quaest e Nexus, teremos um sinal mais robusto de que a eleição chega às últimas semanas completamente aberta.
A semana promete ser quente. E, entre tantos números que ainda serão apresentados, a melhor leitura será aquela feita sem torcida e sem precipitação. As pesquisas mostram o caminho percorrido pelo eleitor até agora. A decisão definitiva, como determina a democracia, continuará pertencendo exclusivamente às urnas.
