A 40 dias da eleição, o primeiro debate da campanha de 2014 entre candidatos a presidente, ontem na TV Bandeirantes, tornou a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, alvo prioritário de seus dois principais adversários: o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (PSB). Logo no início do bloco que permitia perguntas entre os candidatos, pelo menos um tema uniu, em perguntas distintas, Aécio e Marina contra Dilma: a situação da economia. Levando para o debate ecos das manifestações de junho de 2013, Marina citou os pactos pela mobilidade urbana e pelo controle da inflação.

"Por que eles não foram cumpridos?", questionou Marina.

A presidente reagiu, afirmando que considerou os pactos cumpridos, que “a inflação está sendo sistematicamente reduzida”, e que tem cumprido o compromisso com a estabilidade econômica. A candidata do PSB reagiu à resposta, com um ataque direto à gestão Dilma, cobrando a reforma política para o país, com uma frase de efeito.

"Esse Brasil que a presidente apresentou, quase cinematográfico, não é o Brasil que existe. Nós continuamos parados esperando os ônibus", disse Marina.

Marina, Dilma e Aécio se acusaram no debate (Foto: AFP)

As críticas à política econômica voltaram, depois de uma pergunta que a própria Dilma fez a Aécio Neves. Garantindo que, em seu governo, teve “a menor taxa de desemprego da história”, a presidente provocou o adversário ao perguntar a ele que medidas impopulares tomaria, a exemplo das que teriam sido tomadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:"Eu me sinto lisonjeado em a senhora me olhar e ver o ex-presidente Fernando Henrique. Quem olha para o passado tem medo do futuro. No seu governo, 1,2 milhão de postos de trabalho foram fechados. É um país que não cresce, que não gera emprego. Que tem um conjunto de ações desastradas e desconexas em vários setores como o de energia. O governo do PT surfou nas reformas do Fernando Henrique".Mediado pelo jornalista Ricardo Boechat, o debate reuniu os sete presidenciáveis. O nome do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo há duas semanas, foi citado apenas por Marina Silva, que ocupou seu lugar como candidata à Presidência, logo na apresentação do debate.

Marina e Aécio também tiveram confrontos (Foto: Band)

Ao abordar a questão da economia em sua pergunta para Aécio, Dilma aproveitou também para criticar as altas taxas de desemprego no governo Fernando Henrique Cardoso.Mantendo as fortes críticas, Aécio declarou que o governo Dilma não inspira confiança e que não tem credibilidade por conta de ações que considera “desastradas e desconexas”, além de um intervencionismo forte na economia. E disse ainda que o governo do PT se aproveitou de reformas feitas no governo FH."É preciso que a senhora reconheça que o país não cresce e não gera emprego. O governo que a senhora comanda, infelizmente, perdeu a capacidade de inspirar confiança, credibilidade por um conjunto de ações desastradas, desconexas, um intervencionismo absurdo em setores como o de energia. A grande verdade é que o governo do PT surfou nas reformas feitas no governo do presidente Fernando Henrique. Mas a bendita herança acabou, e os brasileiros estão preocupados com o futuro", afirmou o tucano.

 

Ibope: Marina encosta e venceria Dilma no 2º turno

 

  • Dilmatem 34% e Marina 29% na nova pesquisa Ibope

O Ibope divulgou nesta terça-feira, 26, pesquisa que aponta Dilma Rousseff (PT) com 34% das intenções de voto para presidente da República e Marina Silva (PSB), com 29%. Aécio Neves, do PSDB, tem 19%.

Em quarto lugar estão Pastor Everaldo (PSC) e Luciana Genro (PSOL), com 1% cada. Os outros seis candidatos somados chegam juntos a 1%.

Os números do instituto indicam que, em eventual segundo turno, Marina, com 45%, bateria Dilma, que tenta a reeleição, com 36%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e é a primeira do Ibope com Marina Silva como candidata do PSB.

A pesquisa desta terça-feira revela que 7% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar e 8% votarão em branco ou nulo. Na anterior, os os indecisos eram 13% e brancos e nulos, 11%.

O instituto ouviu 2.506 eleitores em 175 municípios entre sábado, 23, e segunda-feira, 25. O nível de confiança é de 95%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014.