Estudos de viabilidade apresentados em Brumado demonstram organização técnica da região e reforçam a urgência de investimentos em saúde para milhares de famílias

A mobilização pela construção de um Hospital Regional para atender o Vale do Paramirim e os municípios da Região de Saúde de Brumado ganhou um novo capítulo nesta semana durante a reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), realizada em Brumado. O encontro marcou o fortalecimento de uma articulação política e técnica que transforma uma reivindicação histórica em uma cobrança institucional organizada, respaldada por estudos de viabilidade, dados assistenciais e projetos concretos apresentados ao Governo da Bahia.

Prefeitos, secretários municipais de saúde, conselhos municipais e representantes da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) participaram das discussões que tiveram como foco a implantação de uma unidade hospitalar capaz de suprir uma das maiores carências estruturais da saúde pública regional.

Atualmente, milhares de pacientes ainda são obrigados a percorrer longas distâncias em busca de consultas especializadas, exames de maior complexidade, cirurgias, internações e atendimento de urgência e emergência. Em muitos casos, famílias enfrentam deslocamentos de centenas de quilômetros até municípios como Vitória da Conquista, Guanambi, Salvador e outros centros de referência, realidade que há décadas impõe sofrimento, custos elevados e riscos aos pacientes.

Durante o encontro, os municípios de Paramirim, Brumado, Livramento de Nossa Senhora e Macaúbas oficializaram interesse em sediar o futuro Hospital Regional do Vale do Paramirim. Cada cidade apresentou seu Estudo de Viabilidade Técnica, documento elaborado para demonstrar aspectos territoriais, logísticos, assistenciais, econômicos e estruturais que justificam a implantação da unidade hospitalar em seu respectivo território.

O Jornal O Eco teve acesso ao projeto apresentado pelo município de Paramirim, considerado um dos mais completos estudos técnicos apresentados durante o encontro. O documento reúne informações detalhadas sobre centralidade geográfica, malha rodoviária, infraestrutura urbana, recursos humanos especializados, disponibilidade de serviços diagnósticos e capacidade de integração com os demais municípios da região de saúde.

A proposta apresentada pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde e defendida pelo prefeito João Ricardo destaca que a Bacia do Paramirim reúne aproximadamente 158 mil habitantes distribuídos entre os municípios de Paramirim, Macaúbas, Boquira, Botuporã, Caturama, Érico Cardoso, Ibipitanga e Rio do Pires, além de poder atender diversos municípios satélites, que possuem acesso facilitado. Segundo o estudo, toda essa população depende atualmente de estruturas hospitalares localizadas fora da região, caracterizando um histórico vazio assistencial que compromete o acesso aos serviços de saúde.

O projeto também sustenta que a ausência de um hospital regional próprio contribui para a sobrecarga dos hospitais que atualmente recebem a demanda da região, especialmente em Brumado, Guanambi e Vitória da Conquista. Conforme o estudo, a constante transferência de pacientes evidencia que a demanda existe e permanece reprimida pela falta de uma estrutura regional capaz de absorver os atendimentos de média e alta complexidade.

Um dos principais argumentos apresentados é a posição geográfica estratégica de Paramirim. O estudo aponta que a localização do município às margens da BA-152 permitiria acesso mais equilibrado aos municípios do Vale, reduzindo significativamente os tempos de deslocamento para atendimento hospitalar. Como exemplo, o documento destaca que pacientes de Boquira precisam percorrer atualmente cerca de 359 quilômetros até Vitória da Conquista, em trajetos que podem ultrapassar seis horas de viagem, situação que contraria os princípios de regionalização e descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além da localização, o projeto evidencia que Paramirim já dispõe de parte da estrutura necessária para apoiar um equipamento hospitalar de grande porte. Entre os diferenciais apontados estão a existência de profissionais especializados em áreas como cirurgia geral, anestesiologia, ortopedia, neurologia clínica, obstetrícia, urologia, nefrologia e cardiologia, além de serviços de tomografia, ultrassonografia, radiologia, endoscopia, colonoscopia e cobertura regional do SAMU.

Outro aspecto ressaltado no estudo refere-se à infraestrutura hídrica e sanitária. O documento informa que Paramirim possui cobertura de água tratada próxima de 90%, abastecida pela Barragem do Zabumbão, além de Estação de Tratamento de Esgoto própria, considerada essencial para o funcionamento de uma unidade hospitalar regional.

A proposta apresentada prevê um hospital regional resolutivo, capaz de atender as principais demandas da região, incluindo centro cirúrgico geral e traumatológico, unidade de terapia intensiva (UTI) para retaguarda regional, leitos obstétricos, diagnóstico por imagem e estrutura de urgência e emergência. O objetivo, segundo o estudo, não é reproduzir o porte dos grandes complexos hospitalares estaduais, mas oferecer uma resposta eficiente e adequada às necessidades regionais.

Também participaram das tratativas o prefeito de Brumado, Fabrício Abrantes, representantes do Núcleo Regional de Saúde do Sudoeste da Bahia, integrantes do Colegiado de Secretários Municipais de Saúde e técnicos da Sesab. Os estudos apresentados serão submetidos à análise dos setores especializados do Governo do Estado. Posteriormente, uma nova rodada de discussões deverá definir os próximos encaminhamentos e avaliar a viabilidade da implantação do empreendimento.

Independentemente da disputa legítima entre os municípios interessados em sediar a unidade, o encontro revelou um consenso regional raramente visto em pautas estruturantes da saúde pública, a necessidade de um hospital de referência deixou de ser apenas uma reivindicação política para se tornar uma demanda técnica, respaldada por estudos, indicadores, planejamento e pela realidade vivida diariamente por milhares de famílias.

O momento representa também um marco em uma luta que o Jornal O Eco abraçou muito antes de o tema alcançar espaço nas agendas institucionais e nos debates oficiais do Estado. Primeiro e único veículo de comunicação de grande alcance a defender de forma permanente a implantação de um Hospital Regional para o Vale do Paramirim, O Eco manteve essa pauta viva durante anos, quando ainda havia silêncio de grande parte das lideranças políticas e ausência de manifestações concretas por parte do poder público estadual.

Ao longo desse período, o jornal realizou inúmeras reportagens, entrevistas, campanhas e coberturas especiais, denunciando o vazio assistencial enfrentado pela população regional. Em diversas oportunidades, o governador da Bahia foi questionado diretamente pelo Jornal O Eco sobre a necessidade de implantação de um Hospital Regional no Vale do Paramirim, transformando o tema em pauta recorrente nas entrevistas concedidas pelo chefe do Executivo estadual.

Essa atuação permanente contribuiu para manter o assunto em evidência, ampliando o debate público e fortalecendo a consciência regional sobre a importância de um equipamento hospitalar capaz de reduzir desigualdades históricas no acesso à saúde.

Hoje, ao ver prefeitos, gestores, técnicos e representantes estaduais discutindo estudos de viabilidade e alternativas concretas para a implantação do hospital, o Jornal O Eco testemunha o amadurecimento de uma reivindicação que ajudou a construir, defender e consolidar junto à opinião pública regional.

CÓPIA DO PROJETO TÉCNICO DE PARAMRIM

A apresentação dos estudos demonstra que os municípios decidiram assumir protagonismo nessa discussão. Em vez de aguardar indefinidamente por uma iniciativa estadual, construíram projetos, reuniram informações técnicas, levantaram dados populacionais, assistenciais e logísticos e apresentaram alternativas concretas para demonstrar que a implantação do hospital é necessária, possível e urgente.

Em um período que antecede as eleições estaduais, a sinalização de abertura ao diálogo por parte do Governo da Bahia, ainda que tardia diante da histórica reivindicação regional, reacende a esperança da população e fortalece a mobilização coletiva. Entretanto, a expectativa vai além de promessas ou discursos do governo. O que gestores e a população da região aguardam são decisões concretas capazes de transformar planejamento em investimento, estudos em obras e reivindicações em resultados efetivos.

A mensagem enviada pelos municípios durante o encontro foi clara, o Vale do Paramirim e a Região de Saúde de Brumado não pedem favores. Cobram um direito constitucional que há décadas permanece pendente. Um direito que se tornou indispensável para garantir dignidade, eficiência, segurança assistencial e acesso regionalizado à saúde para milhares de baianos.