Desde a fundação do Jornal O Eco, no ano de 1997, venho escrevendo, apresentando denuncias relacionadas um grave problema que infelizmente tem tido pouca ou nenhuma atenção das autoridades, o que custou a vida de centenas de pessoas em nossa região. Pais e mães de família, crianças e principalmente jovens, que poderiam estar entre nós e foram levados em acidentes com animais nas pistas. Os números impressionam. Confira.
De 2010 até outubro de 2011, morreram 57 pessoas nas rodovias que cortam do estado que cortam a nossa região, após colisões com animais soltos na pista. Nesse período, foram registrados 556 acidentes que resultaram em 250 pessoas feridas.
Ou seja, conhecedores do problema, autoridades se fazem de surdas, o DERBA com rondas cada vez mais raras, empresas que recebem milhões para preservarem as estradas, deixaram que 57 pessoas perdessem a vida.
Os donos dos animais, inescrupulosos criadores que também sabem dos riscos e das penalidades, não têem o mínimo cuidado em prendê-los ou cercá-los. Os números por si só já são alarmantes, mas o descaso dos proprietários e a certeza de que dificilmente serão punidos está transformando esses incidentes em uma verdadeira epidemia.
Ontem(03/03/2012), nas proximidades da localidade de Itanagé, nossa reportagem flagrou mais um destes absurdos. Proprietários de gado, transportando-os exatamente no meio da pista de alto rolamento, cerca de 100 cabeças, sem nenhuma sinalização, acompanhamento, o que provocou novamente acidente. Graças a Deus de pequenas proporções, apenas arranhões e amassados em veículos, sem vítimas.
Identificar os responsáveis é uma das dificuldades apontadas pelo DERBA e PRF. Quando o animal é apreendido, o proprietário prefere abandoná-lo a assumir o risco de ser responsabilizado por algum acidente. Isso quando não o carregam pra o mato, deixando a vítima humana para socorrer em segundo plano, como aconteceu por aqui. Segundo o informações do Órgão, a criação de animais soltos à sua própria sorte é um costume antigo principalmente no interior do estado. Para um futuro distante, estuda-se uma das alternativas, a instalação de chips nos animais com as informações do animal e do proprietário. Quando isso acontecerá? E até lá quantos ainda vão perder a vida por conta de tamanha negligência?
Caso venha a a]ser implantada, a parceria, no entanto, só tem condições de funcionar com a participação dos municípios. Aliás, já está mais do que na hora de os municípios assumirem a sua parcela de responsabilidade.
O DERBA E a Polícia Rodoviária, apenas recolhem os animais, mas o destino deles é outro problema. Uma sugestão do inspetor é a realização de leilão, pelos municípios, dos animais que não forem resgatados pelos donos. Que tal a criação de um fundo que possa ser usado em campanhas de conscientização para reduzir o número de acidentes? A epidemia tem controle, só precisa ser combatida.
