Real Time mostra empate pelo governo, mas o sinal mais importante vem do Senado, onde Roma cresce, encosta em Wagner e coloca em risco uma vaga antes considerada segura para o PT

A nova pesquisa Real Time Big Data traz dois recados importantes sobre a eleição na Bahia, mas um deles parece bem mais surpreendente. Na disputa pelo governo, Jerônimo Rodrigues aparece com 45% e ACM Neto com 44%. No eventual segundo turno, o placar praticamente se repete, com 46% para Jerônimo e 45% para Neto. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, há empate técnico nos dois cenários e a confirmação de uma eleição que segue completamente aberta.

A maior novidade, porém, está na corrida pelo Senado. Rui Costa aparece na frente, com 26%, enquanto Jaques Wagner registra 19%, João Roma chega a 17% e Angelo Coronel aparece com 15%. Os números colocam Wagner, Roma e Coronel dentro de uma faixa de empate técnico e mudam a percepção sobre uma disputa que durante muito tempo pareceu confortável para o grupo governista.

O sinal de alerta aumenta quando se observa o movimento das pesquisas. No levantamento anterior do Real Time Big Data, realizado em agosto, Rui tinha 25%, Wagner 20% e Roma 15%. Agora Rui avançou para 26%, Wagner oscilou para 19% e Roma cresceu para 17%. A diferença entre Wagner e Roma, portanto, caiu para apenas dois pontos.

É justamente aí que está o fato político da pesquisa. Pela primeira vez, a reeleição de Jaques Wagner aparece claramente ameaçada. Um dos políticos mais influentes da história recente da Bahia, ex governador por dois mandatos, ex ministro e peça fundamental na construção do ciclo petista que governa o estado há quase duas décadas, Wagner chega a esta fase da campanha sem a segurança eleitoral que sua trajetória poderia sugerir.

João Roma surge como a ameaça mais imediata. Seu crescimento reduz a distância para Wagner e abre para a oposição a possibilidade concreta de conquistar uma das duas cadeiras em disputa. Angelo Coronel, com 15%, também permanece no jogo e ajuda a transformar a segunda vaga em território imprevisível. O contraste chama atenção. Enquanto Rui Costa consegue abrir alguma vantagem e se posiciona melhor para conquistar uma cadeira, Wagner precisa olhar para trás. A chapa governista que poderia imaginar ocupar as duas vagas começa a enxergar uma eleição muito mais apertada do que o planejado.

Isso não significa que Wagner esteja derrotado. Pesquisa retrata o momento e ainda existe campanha pela frente. Significa, entretanto, que a segunda vaga deixou de parecer segura. E quando um candidato historicamente forte passa a dividir a margem de erro com dois adversários, o alerta deixa de ser apenas retórico e passa a ser matemático.

Para o governo, a fotografia continua conhecida. Jerônimo e ACM Neto estão separados por apenas um ponto e qualquer tentativa de apontar favoritismo seria precipitada. Para o Senado, entretanto, a fotografia mudou. Rui aparece mais confortável, Roma avança, Coronel resiste e Wagner entra definitivamente numa disputa que promete ser voto a voto.

Talvez esse seja o principal recado do Real Time neste momento. A eleição baiana não está apertada apenas para o governo. Pela primeira vez, também existe uma interrogação real sobre uma das vagas que o PT esperava levar para o Senado. O Instituto ouviu 1.600 eleitores entre os dias 4 e 8 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BA-01568/2026.