Nova rodada mostra Lula na frente no primeiro turno, mas avanço de Flávio Bolsonaro reduz a distância e mantém os dois tecnicamente empatados no confronto decisivo

A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta feira, 11 de setembro, reforça uma realidade que vem se desenhando na corrida presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro caminham para concentrar a disputa e, mantida a tendência atual, aparecem como os nomes mais prováveis para chegar ao segundo turno separados por uma diferença cada vez menor. No levantamento mais recente, Lula registra 39 por cento das intenções de voto no primeiro turno e Flávio chega a 35 por cento. Augusto Cury aparece com 6 por cento, Ronaldo Caiado com 4 por cento, Renan Santos com 3 por cento e Romeu Zema com 2 por cento. O Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre os dias 8 e 10 de setembro, em 125 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95 por cento. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026.

Mais importante do que observar isoladamente o número de ontem é acompanhar o movimento das pesquisas do próprio Datafolha. Em 11 de abril, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente de Lula no segundo turno, com 46 por cento contra 45 por cento. O levantamento foi realizado entre 7 e 9 de abril e registrado no TSE sob o número BR-03770/2026. Mesmo com a vantagem numérica de Flávio, já existia empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na rodada divulgada em 16 de maio, Lula e Flávio chegaram ao empate numérico, com 45 por cento para cada um. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas nos dias 12 e 13 de maio e foi registrada sob o número BR-00290/2026. Poucos dias depois, em 22 de maio, depois da repercussão do caso Dark Horse, o Datafolha voltou às ruas e encontrou uma mudança significativa. Lula avançou para 47 por cento e Flávio caiu para 43 por cento no segundo turno. No primeiro turno, Lula tinha 40 por cento e Flávio 31 por cento. Essa rodada foi realizada nos dias 20 e 21 de maio e registrada sob o número BR-07489/2026.

Em 20 de junho, a vantagem permaneceu. Lula marcou novamente 47 por cento contra 43 por cento de Flávio no segundo turno. No primeiro turno, o petista aparecia com 41 por cento e o candidato do PL com 31 por cento, uma diferença de dez pontos. A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de junho e registrada no TSE sob o número BR-09956/2026.

Em 24 de julho, Lula atingiu o melhor momento dessa sequência no confronto direto. O presidente chegou a 48 por cento contra 43 por cento de Flávio, abrindo cinco pontos de vantagem. No primeiro turno, Lula aparecia com 40 por cento e Flávio com 32 por cento. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 22 e 24 de julho, com registro BR-01166/2026.

A partir daí, a distância começou novamente a diminuir. Em 21 de agosto, Lula marcou 39 por cento no primeiro turno e Flávio chegou a 33 por cento. No segundo turno, o placar ficou em 47 por cento para Lula e 43 por cento para Flávio. A pesquisa ouviu 2.058 eleitores nos dias 18 e 19 de agosto e recebeu o registro BR-04496/2026.

Na rodada divulgada em 3 de setembro, a aproximação ficou ainda mais evidente. Lula apareceu com 38 por cento no primeiro turno contra 33 por cento de Flávio. No confronto direto, o presidente caiu para 46 por cento e Flávio avançou para 44 por cento. A diferença de apenas dois pontos colocou os dois novamente em empate técnico. A pesquisa foi registrada sob o número BR-03669/2026.

Agora, em 11 de setembro, o Datafolha praticamente repete o mesmo quadro no segundo turno. Lula continua com 46 por cento e Flávio permanece com 44 por cento. A estabilidade do placar confirma que nenhum dos dois conseguiu, até aqui, abrir vantagem estatisticamente segura sobre o adversário. No primeiro turno, porém, existe um movimento que merece atenção. Lula oscilou de 38 para 39 por cento, enquanto Flávio avançou de 33 para 35 por cento. A distância, que chegou a dez pontos em junho, está agora em quatro pontos.

Outro dado reforça o equilíbrio. A pesquisa mais recente mostra Lula e Flávio Bolsonaro com exatamente 46 por cento de rejeição cada um. Isso significa que, além de disputarem praticamente o mesmo espaço eleitoral no segundo turno, os dois carregam níveis semelhantes de resistência no eleitorado. É uma eleição em que a capacidade de conquistar quem ainda está fora dos dois grandes campos pode acabar sendo tão importante quanto manter as próprias bases mobilizadas.

O diagnóstico da sequência Datafolha é de uma corrida que voltou ao ponto de equilíbrio. Em abril, Flávio chegou a aparecer numericamente um ponto à frente. Em maio houve empate numérico. Depois Lula reagiu, abriu quatro pontos, chegou a cinco em julho, mas viu essa distância cair para quatro em agosto e apenas dois pontos em setembro. Nas duas últimas rodadas, o segundo turno registra exatamente o mesmo placar de 46 por cento a 44 por cento.

No primeiro turno, Lula ainda mantém a liderança numérica e os demais candidatos permanecem bastante distantes dos dois primeiros colocados. Por isso, considerando exclusivamente o retrato apresentado pela série Datafolha, o cenário mais previsível neste momento é de Lula e Flávio Bolsonaro ocupando as duas vagas do segundo turno. Isso não significa que o resultado esteja definido, porque pesquisas medem a intenção de voto no momento das entrevistas e não são previsão das urnas. O que os números permitem afirmar é que a polarização está consolidada e que, se a eleição caminhar como indicam atualmente os levantamentos, Lula e Flávio chegarão à etapa decisiva muito próximos, provavelmente dentro de uma faixa de empate técnico.

A eleição presidencial de 2026, portanto, parece cada vez menos uma disputa para saber quem estará no segundo turno e cada vez mais uma batalha para descobrir quem conseguirá chegar a ele em melhores condições. Hoje Lula conserva pequena vantagem numérica, enquanto Flávio demonstra capacidade de aproximação. Com 46 por cento contra 44 por cento e rejeições rigorosamente iguais, o Datafolha desenha uma reta final aberta, polarizada e sem espaço para qualquer sensação de vitória antecipada.