Por que me apedrejas?, este possivelmente poderia ter sido o questionamento das duas mulheres que foram vítimas de execuções brutais em Brumado nos últimos dias aos seus algozes, os quais, implacáveis, as apedrejaram até a morte.

O apedrejamento é uma das formas mais bárbaras de execução, adotada no mundo oriental como uma espécie de pena de morte é ainda utilizada até hoje pelos ortodoxos islamitas, inclusive com um caso recente de uma mulher iraniana que chamou a atenção do mundo.
Adotada para punir mulheres infiéis no mundo islâmico, a morte por apedrejamento tomou uma nova versão muito mais cruel em Brumado, já que, em cerca de dez dias, duas mulheres foram vítimas desse tipo de execução, as quais, diferentemente da infidelidade conjugal, praticaram a infidelidade ao tráfico, adquirindo drogas e, como não tinham como pagar, pagaram com as próprias vidas.
Esses fatos, que deixaram a sociedade brumadense ainda estarrecida, aos poucos, vão entrando para a galeria da banalização, o que é extremamente preocupante, já que isso proporciona ainda mais o alargamento das práticas criminosas no município.
O termo “Tribunal do Crime”, que foi usado com tanta frequência nas manchetes, vem mostrar, indubitavelmente, que o crime em Brumado tomou proporções dantescas, já que está executando os seus réus da forma mais bárbara possível.
Outro fato que merece ser discutido é o crescimento vertiginoso de mulheres usuárias de tóxicos, principalmente o crack.
Elas que se entregam com muito mais “paixão” e esse vício mortífero, ficam totalmente reféns dos traficantes, enveredando por um caminho sem volta, que agora, literalmente, acaba nas “pedras” que lhe são atiradas no crânio.
Quantas famílias que vem perdendo as “suas meninas” para o mundo das drogas, muitas sem notar, outras omissas, mas quase nenhuma sem a capacidade de tirá-las desse caminho destruidor.
Talvez pelos hábitos provincianos, muitas famílias não revelam que suas filhas caíram na teia devastadora do vício, com medo e vergonha do que os outros vão dizer, deixando as “suas meninas” serem “tragadas” pelas drogas, ao invés de lutarem com todas as forças para salvá-las, mesmo que isso tenha que implicar numa vergonha pública.
A questão da droga em Brumado tem uma dimensão muito maior do que se imagina e, aquela cidade pacata de outrora, agora tem que conviver com o status de polo regional de distribuição de entorpecentes, mas, ou por medo, ou por omissão, ninguém está tratando o caso com a seriedade que deveria.
Por que me apedrejas?, esta pergunta também poderia estar sendo feita pela sociedade brumadense às autoridades governamentais, as quais têm a consciência da gravidade do problema, mas que, até o momento só tem ficado em falácias e promessas vazias.
Por que me apedrejas?, ecoam as vozes das mulheres pelas ruas da cidade, buscando uma explicação para o fato de terem morrido de forma tão brutal, por uma dívida que para elas era banal.
Por que me apedrejas?, ecoam as vozes dos brumadenses para o Governo do Estado, que já deveria ter, no mínimo, dobrado o contingente da Polícia Militar e da Polícia Civil na cidade.
Por que me apedrejas?, bradam as vozes assustadas das famílias brumadenses que estão vendo os seus jovens morrerem juntamente com seus sonhos.
Por que me apedrejas?, gritam as vozes ocultas dos corajosos policiais que atuam de forma heroica na cidade no combate ao crime, mas que, veem sua coragem desvanecer toda vez que realizam suas operações arriscadas, quando prendem os bandidos, mas tem que ver os mesmos serem soltos em seguida, pela falta de um sistema prisional na cidade e pelas leis e suas flexibilizações.
Por que me apedrejas?, ao me deixar tão abandonada no deserto da indiferença, gritam as vozes do consciente coletivo de Brumado.