Em sua tão aguardada visita ao Brasil, o papa jesuíta de alma franciscana, defensor da humildade e das oportunidades aos pobres, espera que suas atitudes e palavras motivem os jovens do mundo a agir como verdadeiros cristãos.
O papa jesuíta de alma franciscana também terá a chance de exercer aqui sua catequese em favor dos pobres. Seu público no Rio são mais de 1 milhão de jovens peregrinos, que na semana passada começavam a ser vistos na cidade fazendo turismo antes de os trabalhos começarem. Sendo esta uma Jornada da Juventude e sendo os jovens os motores das manifestações de rua no Brasil, o pontífice vai aproveitar para transmitir a ambos, devotos católicos e portadores de cartazes indignados, seu apoio a quem protesta contra a corrupção e as más condições da saúde e da educação, bandeiras defendidas pelo paladino da justiça social que sempre foi, desde os tempos de arcebispo em Buenos Aires.
Também cobrará da classe política uma mudança de atitude. O papa é seguidor e arauto dos nobres princípios franciscanos (não escolheu à toa o nome que tem), praticante da ética rigorosa, da simplicidade espartana e do compromisso com os destituídos que são a marca do mais popular dos santos – aquele que trocou uma existência de luxo pela renúncia aos bens materiais. Francisco, como o santo que o inspira, prega uma igreja aberta, devota, atenta aos fiéis.
Critica com frequência as desigualdades sociais. Pautou-se por esses altos ideais durante toda a sua vida religiosa e agora os pratica na cúpula vaticana com uma intensidade até perturbadora para prelados desacostumados. Ao se apresentar assim no Rio de Janeiro, estará firmando uma imagem de pontífice popular, carismático e forte – o perfil mais adequado para atrair à Igreja Católica os jovens brasileiros que vêm se desgarrando dela há anos.
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