
Diz a sabedoria popular que casamentos por interesse, e não por amor, costumam ter dois dias felizes: o da cerimônia e o do divórcio. Passada a festa começam a aparecer os problemas em escala crescente.
No “casamento” político entre Marina Silva e o PSB de Eduardo Campos, com o divórcio já anunciado para depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializar a criação do partido Rede Sustentabilidade, já começam a aparecer as divergências.
Alguns marineiros, que representam a maioria dos que queriam ver Marina Presidente, não perderam tempo. começaram a disparar panfletos virtuais, iniciando uma campanha viral com a mensagem: “Entre nessa campanha você também. Não quero Eduardo Campos, quero Marina Silva. Curta e Compartilhe!”.Nas redes sociais nota-se o sentimento de decepção da grande maioria dos que sonhavam com uma mudança real de conceitos. Outros, ainda mal informados, acreditam que Marina Silva entrou no PSB para continuar candidata a presidente, ignorando que o partido luta por uma candidatura própria. E uma parte, de entusiastas da candidatura da ex-senadora, já faz uma guerrilha virtual para impor o nome de Marina na cabeça da chapa, defenestrando o projeto político de Eduardo Campos.
Nas recentes pesquisas eleitorais, Marina Silva aparece com até seis vezes mais intenções de votos do que Campos, dependendo do cenário simulado. Se esse quadro persistir por mais alguns meses (e há grande probabilidade de que persista), as pressões para Marina encabeçar a chapa devem crescer, complicando a vida de Campos – o que pode provocar sérias discussões domésticas sobre a relação.
O jornalista Paulo Moreira Leite, da revista IstoÉ, já especula o deslocamento de Eduardo Campos para uma candidatura ao Senado por Pernambuco, cedendo a candidatura presidencial para Marina Silva, como uma saída honrosa para Campos, caso não decole, sem se queimar entre seus seguidores.
É uma lógica política meio enviesada, mas obedece à mesma lógica da entrada de Marina no PSB, caso Campos se sentir que sairá menor do que entrou no processo eleitoral, se queimando para o futuro.
Tantando entender o desenrolar desse impasse, o eleitor, diante de tanto desencontro político e interesses pessoais do PSB, em detrimento dos interesses coletivos da população, e pior ainda, Eduardo Campos ao se impor, contraria toda a pregação de Marina contra a “velha política”.
