O jegue "Pagode" já previu a vitória da seleção de Felipão
 
Outro dia o ex-presidente Lula disse que o brasileiro vai chegar aos estádios da Copa a pé, de bicicleta ou até de jegue. Bem que ele poderia mandar a presidente Dilma instalar um sistema de translado entre as arenas e as estações de metrô, de ônibus e estacionamentos – tudo na base do jegue. Além do mais, essa decisão contribuiria decisivamente para salvar esta subespécie, seriamente ameaçada de extermínio, após histórico reinado. 
 
Na Disney World, por exemplo, um carrinho elétrico puxa o trenzinho que transporta os visitantes entre os estacionamentos e os parques. Aqui, o jegue (Equus asnus) pode substituir o carrinho elétrico. Esse bicho aguenta peso e vai ajudar gordos, deficientes, idosos e um monte de gente que tem dificuldade de acesso aos estádios. 
 
Nordestino não vivia sem o seu jegue, que lhe servia de montaria, animal de carga e de tração na lavoura. A realidade e a ficção estão cheias de comoventes histórias de amor entre o homem e o seu jegue, companheiro de trabalho e de cachaça (no caso, é bico seco para o jegue), que lhe atenuava a solidão e o sofrimento na terra seca e na pobreza. 
 
Com toda sua fama e majestade, o jegue é tema de música, nome de banda de forró, personagem de novela e do folclore regional; há corridas e concursos; tem até jegue elétrico no Carnaval. 
 
Esse animal e seu dono viviam juntos para sempre, até a hora da morte. Hoje, tudo mudou: o custo de vida, o mercado e a crescente oferta de motocicletas a preços acessíveis estão obrigando o nordestino a abandonar o seu bicho do coração. Para o povo sertanejo, sua manutenção ficou muito cara e a moto leva inúmeras vantagens como meio de transporte. 
 

Diante dessa dolorosa realidade, o jegue vem sendo abandonado pelos seus donos, sertão afora, recolhidos em depósitos municipais cada vez mais lotados, para desespero dos prefeitos. Veterinários e entidades protetoras dos animais já saíram em defesa do jegue, apontando alternativas para sua conservação e novos usos. Extermínio, jamais. Até porque se trata de um bicho emblemático, símbolo cultural da nação sertaneja.