Instituto que ganhou notoriedade após antecipar movimentos decisivos das eleições de 2022 na Bahia e no Brasil segue sem levantamentos públicos sobre a sucessão estadual; analistas levantam hipóteses sobre estratégia de mercado, ausência de contratação e eventual circulação de pesquisas de consumo interno.

A ausência de pesquisas registradas do Instituto AtlasIntel sobre a disputa pelo Governo da Bahia em 2026 passou a chamar atenção de observadores políticos, analistas eleitorais e integrantes do meio partidário baiano. O instituto, que ganhou projeção nacional após resultados considerados assertivos nas eleições de 2022, ainda não divulgou nenhum levantamento oficial sobre o cenário estadual baiano no atual ciclo pré-eleitoral.

O fato é considerado, no mínimo, curioso por integrantes do meio político, especialmente porque a AtlasIntel continua realizando e divulgando pesquisas em outros estados e no cenário nacional. Nos últimos meses, o instituto publicou levantamentos envolvendo disputas estaduais em locais como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, além de monitoramentos frequentes da corrida presidencial de 2026.

Em 2022, a AtlasIntel teve ampla repercussão ao indicar a recuperação de Jerônimo Rodrigues na reta final da disputa contra ACM Neto, em um momento em que parte significativa das pesquisas tradicionais ainda apontava vantagem para o ex-prefeito de Salvador. O instituto também ganhou destaque nacional por levantamentos que se aproximaram do resultado final da eleição presidencial vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

Na Bahia, os levantamentos da AtlasIntel em 2022 foram divulgados em parceria com o Grupo A TARDE, associação que teve forte repercussão no ambiente político estadual. Até o momento, porém, não houve anúncio público sobre eventual renovação da parceria para as eleições de 2026. A ausência de pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a gerar questionamentos especialmente porque outros institutos já iniciaram a divulgação de cenários estaduais para a sucessão baiana.

Nos bastidores políticos, diferentes hipóteses são levantadas para explicar o cenário. Uma delas seria a possibilidade de não ter havido, até agora, interesse na contratação de pesquisas eleitorais registradas envolvendo a Bahia. Pesquisas estaduais geralmente dependem de financiamento de veículos de comunicação, grupos empresariais, consultorias, partidos ou agentes políticos interessados na divulgação pública dos dados.

Outra hipótese discutida por analistas é que a própria AtlasIntel possa ter alterado seu foco estratégico nos últimos anos, priorizando levantamentos nacionais, análises internacionais e projetos de monitoramento político e econômico de maior alcance. Afinal, A AtlasIntel é uma empresa brasileira reconhecida internacionalmente pela elevada precisão de suas análises políticas e eleitorais. Utilizando metodologias inovadoras, como high-frequency polling e recrutamento digital aleatório, a instituição consolidou-se, especialmente em 2025 e 2026, como uma das empresas de pesquisa mais precisas do Brasil e dos Estados Unidos, tornando-se referência global em inteligência de dados aplicada à opinião pública e cenários eleitorais.

Há ainda avaliações mais reservadas feitas nos bastidores do meio político e empresarial. Alguns analistas observam que, em determinados contextos eleitorais, pesquisas podem ser realizadas para consumo interno de contratantes, sem necessariamente serem registradas ou divulgadas publicamente, desde que não destinadas à publicação oficial. Pela legislação eleitoral brasileira, apenas pesquisas com intenção de divulgação pública precisam de registro junto ao TSE.

Esses analistas ponderam que, em cenários considerados politicamente sensíveis ou ainda indefinidos, determinados grupos podem optar por manter levantamentos restritos ao ambiente estratégico, especialmente quando os números eventualmente encontrados não são considerados politicamente vantajosos para exposição pública. Não há, contudo, qualquer confirmação oficial de que isso esteja ocorrendo no caso baiano. Tampouco existem elementos públicos que permitam afirmar qual seria a atual tendência consolidada do eleitorado para 2026.

Mesmo assim, a ausência justamente do instituto que ganhou credibilidade após os acertos eleitorais de 2022 acabou ampliando especulações no ambiente político estadual. Em janeiro deste ano, inclusive, a própria AtlasIntel desmentiu conteúdos que circulavam nas redes sociais atribuindo ao instituto uma suposta pesquisa sobre a disputa estadual baiana. Representantes da empresa afirmaram que nenhum levantamento daquele tipo havia sido realizado ou divulgado oficialmente.

Até o momento, nem a AtlasIntel nem o Grupo A TARDE se manifestaram publicamente sobre eventual retomada da parceria eleitoral firmada em 2022. Enquanto isso, o cenário sucessório da Bahia segue sendo acompanhado por outros institutos de pesquisa, já iniciaram testes envolvendo nomes ligados tanto à base governista quanto à oposição para a disputa de 2026. Não que não possuam importância tais levantamentos estatísticos, mas, o que desperta curiosidades é o fato do Atlas, que mais se destacou em 2022, ainda não tenha aparecido nos registros do TSE em pesquisas registradas para o cenário baiano.