Devem acontecer a partir de hoje (21) e durante toda a semana, os tais cortes na inchada máquina do governo federal. Ninguém sabe ao certo o que virá. Diz-se que serão eliminados entre 10 e 15 Ministérios, dispensados uma enxurrada de servidores que pouco produzem e medidas de austeridade. A expectativa é grande até para que o governo da presidente Dilma Rousseff respire diante dessa onda de pedidos de impeachment que chega ao Congresso Nacional.

Todo mundo que conhece os problemas nacionais sabe que essas medidas são paliativas, uma vez que o furo é mais embaixo, duradouro, e há um buraco na previdência que terá despesas da ordem de R$ 160 milhões só neste 2015 e não existe máquina de FAZER DINHEIRO que resolva essa questão se não houver uma reforma estrutural no país.

Há uma quantidade enorme de aposentadorias precoces de pessoas com altos salários, ainda jovens e produtivas, mas, que deverão usufruir desses benefícios até o final de suas vidas. E isso acontece no governo federal, nos estados e nos municípios.

Esse é um problema abrangente. Veja que o governador Rui Costa já disse que vai fazer cortes em algumas situações uma vez que o Planserv, com projeto de modificações na Assembleia, não suporta os gastos que estão acontecendo a cada ano, crescendo acima do que o governo tem capacidade de arrecadar. Teria dado um saldo de R$350 milhões para R$ 2.4 bilhões, o Funprev não tem caixa para suportar tais despesas.

E ainda há casos pendentes na Justiça – no governo federal a situação é preocupante demais uma vez que, de 10 processos que chegam ao STF, 8 envolvem o governo de alguma maneira – como o do caso envolvendo servidores da Assembleia Legislativa e governo do Estado, ação que vem desde 1992, quando Eliel Martins era presidente da Casa, e estima-se, hoje, na ordem de R$400 milhões.

Vê-se, pois, que a situação é angustiante para a presidente DILMA e para o país, pois, de nada vai adiantar mais impostos, quer seja CPMF ou outros, se não houver as reformas estruturantes. O governo chega ao cúmulo de pagar pensões a 'revolucionários' que teriam lutado contra a ditadura militar de 1964. Creio que o Brasil deve ser o único país do mundo onde esse tipo de militante recebe pensão.

Há casos e casos todos os meses. Agora mesmo estão em greve servidores do INSS, do Correios e professores da UFBA. Todo mundo recebendo seu 'holerite' cheio no final do mês. De fato, assim não há dinheiro que chegue.

Rui Costa não se conforma com os R$ 2,5 bilhões que terá que gastar para cobrir o déficit da previdência este ano. Diz que o Rio vai gastar R$ 11 bi e Minas, R$ 9 bi.

— Vou comprar uma briga grande. Eu estou pagando R$ 2,5 bi para um bocado de gente que está recebendo aposentadoria de R$ 40 mil. Eu vou cortar. Eu posso ganhar impopularidade, mas não vou fazer demagogia para ter aplauso no curto prazo. Preciso solucionar problemas a longo prazo.

É o Estado quem banca o Funprev, que agrega aposentados do governo, Tribunal de Justiça, Assembleia e Ministério Público. Virou um calo financeiro. Eram R$ 360 milhões há oito anos e agora está nos R$ 2,5 bi.

A folha inclui 40 mil professores inativos contra 32 mil da ativa, por exemplo; Rui quer atacar nos dois fronts: cortando por dentro e discutindo fórmulas de novos financiamentos previdenciários . Ou a a bolha vai estourar já, já.