Sessão da Comissão Especial do Impeachment da Câmara que analisa o impeachment da presidente Dilma Rousseff e votação do relatório de Jovair Arantes (PTB-GO)

O governo entrou em campo para negociar, até os últimos momentos, o apoio de partidos aliados na comissão do impeachment. A ação fez com que três legendas – PR, PSD e PTN – mudassem de posição ao longo da sessão desta segunda-feira, mas não foi suficiente para evitar uma derrota ainda maior do que a calculada até mesmo pela oposição. A aprovação do relatório favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff por onze votos de diferença, na visão dos oposicionistas, pavimenta o caminho para o alcance dos 342 apoios necessários para a manutenção da decisão no plenário da Câmara.
 
Governistas tentam diminuir a derrota com o argumento de que o colegiado não atingiu dois terços (66%) de apoio ao parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), proporção necessária em plenário para a destituição da presidente da República. O parecer de Arantes foi aprovado por 38 votos a 27, ou seja, 58% da comissão.
 
O resultado, no entanto, pegou o Planalto de surpresa e atingiu até a mais pessimista previsão dos governistas. No início do dia, o governo falava em ter entre 28 e 30 votos. A margem já era menor do que a da semana passada, quando esperava entre 29 e 31. Minutos antes da votação, a base governista já contabilizava um revés mais acentuado e havia baixado a previsão para entre 27 e 29 votos.
 
"Era para ser uma votação muito mais justa, muito mais apertada, e ganhou com folga, porque mostrou as mentiras que eles contaram durante todo o período. No plenário tenho certeza de que esse placar chega e chega forte", afirmou o relator Jovair Arantes. "O placar me diz vitória, vitória do povo brasileiro. Essa é a máxima."
 
Deputados pró-impeachment comemoram o resultado apontando o fato de a comissão ser considerada "chapa-branca" – formada apenas por indicações de líderes partidários, muitos dos quais sentam-se à mesa para negociar com o Planalto. "Esse número é acachapante para o governo. Deve-se considerar que essa foi a composição feita de acordo com o que o Palácio queria. Eles entraram na suprema corte e a comissão acabou sendo formada por indicações saídas do Palácio.
 
Essa derrota vai repercutir muito no plenário", afirmou o líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy (BA). "Essa história da proporção é balela, eles tinham obrigação de vencer. A comissão foi indicada por eles", emendou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).
 
Já o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM), avalia que o placar pode ser determinante para uma definição entre os parlamentares que seguem sem uma posição. "O resultado foi expressivo e atinge os indecisos. Ninguém trabalhava com a expectativa de dois terços. No plenário da Câmara será ainda maior. A arma que nós temos é o povo na rua e nas redes sociais cobrando", disse.
 
"A derrota do governo aconteceu numa comissão de deputados escolhida a dedo pelos líderes. Os governistas procuraram impor a sua vontade e não conseguiram. No plenário, as decisões serão de cada um. Aí vai falar a sociedade", afirmou o presidente do DEM, Agripino Maia.