Americanas, Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, Polishop e Casa & Vídeo expõem a escalada das recuperações judiciais no país
O avanço das recuperações judiciais no Brasil acendeu um alerta sobre a situação financeira das empresas, especialmente no varejo. Dados da Serasa Experian mostram que o país registrou 977 processos em 2025, maior volume anual desde 2016 e crescimento de 5,5 por cento em relação a 2024. O número de CNPJs envolvidos chegou ao recorde de 2.466 empresas, alta de 13 por cento.
A presença de marcas tradicionais como Americanas, Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, Polishop e Casa & Vídeo em processos de recuperação ou reestruturação, em diferentes momentos e circunstâncias, demonstra que a dificuldade alcançou grandes empresas do comércio. O caso mais recente da Casas Bahia chama atenção pelo tamanho da dívida submetida à recuperação judicial, estimada em R$ 17,3 bilhões. A Marabraz também recorreu à Justiça diante de dívidas de centenas de milhões de reais.
Entre as principais causas estão os juros elevados. O varejo depende de crédito para comprar mercadorias, financiar estoques e manter capital de giro. Quando o dinheiro fica caro, aumentam as despesas financeiras das empresas. Ao mesmo tempo, o consumidor enfrenta prestações maiores, crédito restrito e endividamento, reduzindo principalmente as compras de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos.
Outro fator decisivo é a concorrência digital. Grandes redes que durante décadas cresceram apoiadas em extensas estruturas de lojas físicas passaram a enfrentar marketplaces nacionais e internacionais com forte capacidade de competir em preços, variedade e entrega. Para reagir, o varejo tradicional precisa manter suas lojas e, simultaneamente, investir em tecnologia, logística e comércio eletrônico.
A crise, porém, não pode ser explicada apenas pelos juros e pela internet. Endividamento excessivo, expansão acelerada, estruturas caras, erros administrativos e dificuldades de adaptação ao novo comportamento do consumidor também contribuíram para deixar algumas empresas mais vulneráveis.
O aumento das recuperações judiciais desperta ainda preocupação com um possível efeito cascata. Quando uma grande rede enfrenta dificuldades para pagar suas obrigações, os reflexos podem atingir fornecedores, transportadoras, proprietários de imóveis, bancos e trabalhadores. Pequenas empresas dependentes desses grandes clientes também ficam expostas.
Recuperação judicial não significa necessariamente falência. O mecanismo permite que empresas reorganizem dívidas e tentem preservar suas atividades. O que preocupa é a quantidade de companhias recorrendo a esse caminho.
Os casos de Americanas, Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok, Polishop e Casa & Vídeo mostram que tradição e tamanho já não são suficientes para garantir estabilidade. O varejo enfrenta ao mesmo tempo dinheiro caro, consumidores endividados e uma transformação digital que mudou definitivamente a maneira de comprar. A onda de recuperações judiciais surge, assim, como um alerta de que a crise das grandes redes pode ultrapassar as vitrines e alcançar empregos, fornecedores e toda a cadeia econômica.
