Advogados de João Santana pedem soltura do jornalista
 
O publicitário João Santana admitiu ser o controlador da conta na Suíça que recebeu US$ 7,5 milhões da Odebrecht do operador Zwi Skornicki, mas afirmou que sua mulher, Mônica Moura, é a responsável pelas movimentações e que "não sabe dizer quais valores foram recebidos na referida conta", que era mantida como uma poupança para sua aposentadoria. 
 
 Em depoimento prestado na manhã desta quinta-feira à Lava-Jato, o marqueteiro afirmou que não sabe se Mônica tem procuração para fazer a movimentação e que não sabe quem são os beneficiários. Ele autorizou acesso a todos os dados da conta ShellBill, na Suíça, onde foram depositados os valores investigados pela Lava-Jato.
 
 
Santana disse que a conta foi aberta entre 1998 e 1999 para receber cerca de US$ 70 mil por serviços prestados na Argentina, por meio de um representante no Uruguai que teria sido indicado por um amigo argentino. Ele disse que só tomou conhecimento de que a conta não era relacionada à Polis Argentina, sua empresa no país vizinho, quando foi feita uma auditoria em suas empresas. 
 
Santana não soube precisar a data, mas disse que tinha intenção de legalizar a conta, mas que sempre houve dúvidas em relação a qual país devesse fazê-lo, já que a conta recebia recursos de campanhas no exterior. Para o Ministério Público Federal, o dinheiro repassado pelo operador ao marqueteiro pode ter saído de contratos da Petrobras, referentes a plataforma P-51 ou sondas da Sete Brasil.
 
Santana negou ter recebido no exterior dinheiro das campanhas presidenciais no Brasil. Negou ainda receber por serviços prestados ao governo federal. Segundo ele, os "eventuais conselhos de maneira esporádica" prestados ao governo federal não foram remunerados. Aos investigadores, disse que foi "um doador de serviços ao governo em razão do prazer que isso lhe gera e da facilidade que possui".
 
A mulher e sócia do marqueteiro petista João Santana, Mônica Moura, afirmou à Polícia Federal que a empreiteira Odebrecht pagou, por caixa dois, despesas da campanha à reeleição do ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, em 2011. 
 
Conforme a versão apresentada por Mônica, o custo de propaganda da campanha do presidente-ditador naquele ano foi de 35 milhões de dólares e "grande parte do valor foi recebido de maneira não contabilizada".
 
Segundo ela, "em razão das dificuldades de pagamento", na época procurou o então executivo da Odebrecht Fernando Miggliaccio, já que ele "colaboraria no custeio de parte da campanha". Ao longo de três anos e até 2014, os dois mantiveram "diversos contatos", inclusive encontros na sede da Odebrecht, disse Mônica à polícia.
 
 
Ela ainda estimou em "3 a 4 milhões de reais" os valores pagos pela Odebrecht no exterior, embora os investigadores da Operação Lava Jato atribuam à empreiteira repasses de pelo menos 3 milhões de dólares do grupo do herdeiro Marcelo Odebrecht por meio da empresa offshore Klienfeld.
 
E apresentou uma versão quase vitimista sobre os milhões de dólares recebidos no exterior: "Em todas as suas campanhas, se não fosse por imposição dos contratantes, preferia que fosse tudo contabilizado".