
Desde a prisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, na Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula da Silva vem dando sinais de inquietações fora do nornal. Durante seminário em SP, nesta segunda pré-São João, defendeu uma mudança radical no Partido dos Trabalhadores (PT). Para Lula, é preciso fazer uma revolução e colocar pessoas mais jovens no PT.
Eu acho que o PT perdeu um pouco a utopia. Eu lembro como é que a gente acreditava nos sonhos, como a gente chorava quando a gente mesmo falava, tal era a crença. Hoje nós precisamos construir isso porque hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito e ninguém hoje mais trabalha de graça — disse.
De fato, nada mais correto do que essa afirmativa de Lula. A questão, agora, é convencer a 'companheirada' que é preciso mudar de postura, deixar as 'mordomias', as 'aposentadorias de revolucionários' que 'mamam nas tetas do governo' e convencer os jovens de que o PT ainda é uma alternativa de poder sem a corrupção.
O PT precisa urgentemente voltar a falar pra juventude tomar conta do PT. O PT está velho. Eu, que sou a figura proeminente do PT, já estou com 69 (anos), já estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que eu falava em 1980. Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido, uma revolução interna, colocar gente nova, mais ousada, com mais coragem. Temos que decidir se nós queremos salvar a nossa pele e os nossos cargos, ou queremos salvar nosso projeto. E acho que nós precisamos criar um novo projeto de organização partidária nesse país.
Lula participou da conferência “Novos desafios da democracia”, seguida de debate com o ex-presidente do Governo da Espanha, Felipe González, que é filiado ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). No evento, realizado em parceria com as Fundações Friedrich Ebet e Perseu Abramo, o petista também disse que pretende chamar representantes dos novos partidos que vem surgindo na Europa, como o Podemos, para dar palestras no Brasil.
O PT era, em 1980, o que é hoje o Podemos. A gente nasceu de um sonho, de que a classe trabalhadora pudesse ter vez e ter voz, e nós construímos essa utopia. Há necessidade de repensarmos a esquerda, o socialismo e o que fazer quando chegamos ao governo. Enquanto você é oposição é muito fácil ser democrata você pode sonhar, pensar, acreditar, mas quando você chega ao governo, precisa fazer, tomar posições.
Lula afirmou ainda que o maior legado deixado por seu governo foi o exercício da democracia. — Nunca antes na história do Brasil o povo exerceu tanto a democracia e participou tanto das decisões do meu governo como o povo participou quando o PT chegou ao governo.
Lula também voltou a criticar a imprensa e acusou os veículos de comunicação de “fazer oposição pelo editorial”. Ele disse que é preciso saber usar melhor as redes sociais e a internet do que pedir entrevista.
Aqui no Brasil nós reclamamos muito da mídia. A oposição aqui é a imprensa. Em alguns jornais, eles fazem oposição pelo editorial. Ao invés de brigar com isso, temos que melhor saber usar a internet, melhor saber usar as redes sociais — disse Lula.
Pena que Lula tenha esquecido dos outros governos pós 1984 atribuindo a ele e ao PT a 'consolidação' do processo democrático no país. E que tenha dado no lapso quando fala na imprensa de que foi o grande beneficiário da imprensa livre desde a pós-redemocratização e mesmo no periodo da ditadura. No mais, Lula disse verdades sobre o PT.
Veja o caso da Bahia. A novidade, de fato, foi a ascensão de Rui Costa ao governo do Estado, uma visão muito boa do ex-governador Wagner. Mas, salvo Rui, veja que os postulantes ao governo da Bahia, em 2014, foram Sérgio Gabrielli, Walter Pinheiro e Luiz Caetano todas figuras antigas do PT. E, pra prefeito de Salvador, Nelson Pelegrino já disputou em 4 eleições, todas perdidas.
Agora, quando se aproxima a eleição para prefeito, em 2016, os nomes mais citados são os de Jaques Wagner, Gilmar Santiago e Nelson Pelegrino. Na Câmara não houve renovação. O nome que certa época surgiu como novo Henrique Carballal mudou de lado. Marta Rodrigues que parecia uma esperança minguou. Liderança nova inexiste. Em parte, culpa do próprio PT que cooptou as bases sindicais e a turma estudantil ligada a UNE.
Na Assembleia Legislativa a situação é ainda pior. O único deputado novo que entrou na bancada petista foi Gika Lopes, de Serrinha, ex-PSB, empresário do ramo de borracharia que nada entende de politica e foi levado a ser vice-prefeito de Osni Cardoso, prefeito de Serrinha, para ajudá-lo em sua reeleição. Em troca, Osni elegeu Gika.
Os demais são todos antigos: Zé Raimundo, Zé Neto, Fátima Nunes, Joseildo Ramos, Marcelino Galo, Neusa Cadore, Bira Corôa, Luiza Maia, Rosemberg Pinto – o mais jovem e promissor – Paulo Rangel. Zero de novo. Na Câmara Federal a mesma coisa. Tem até gente nova na política partidária – caso de Jorge Solla- mas o restante gente antiga com pensamento – repetindo Lula – dos anos 1980, casos de Moema Gramacho, Valmir Assunção e outros. O novo não entrou que era Robison Almeida.
Então, Lula tá certo, mas, essa mudança que propõe, essa 'revolução' todo mundo empendurado no governo duvida-se que dê certo.
