Nova pesquisa mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro, mas comparação com levantamentos recentes revela disputa competitiva, eleitorado cada vez mais consolidado e cenário de segundo turno ainda aberto
A mais recente pesquisa BTG/Nexus sobre a eleição presidencial de 2026 reforça um cenário que começa a aparecer com maior nitidez na sequência dos levantamentos nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém na liderança nas intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro permanece como seu principal adversário e sustenta índices suficientes para indicar uma disputa competitiva tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno. A fotografia atual favorece numericamente Lula, mas as diferenças observadas entre os dois recomendam cautela antes de qualquer conclusão sobre o resultado das urnas.
No principal cenário estimulado para o primeiro turno, Lula aparece com 40 por cento das intenções de voto e Flávio Bolsonaro registra 35 por cento. Ronaldo Caiado soma 5 por cento, Renan Santos alcança 4 por cento e Romeu Zema tem 3 por cento. O resultado coloca os dois primeiros candidatos muito à frente dos demais e confirma, neste momento, uma forte concentração das preferências eleitorais em torno das candidaturas de Lula e Flávio.
A evolução da própria série BTG/Nexus ajuda a compreender melhor o quadro. Na pesquisa divulgada em 3 de agosto, Lula tinha 41 por cento e Flávio Bolsonaro, 37 por cento no primeiro turno. Agora aparecem com 40 por cento e 35 por cento, respectivamente. Como as duas alterações ocorreram dentro da margem de erro, não há sustentação estatística suficiente para afirmar que qualquer um dos dois efetivamente ganhou ou perdeu eleitores nesse intervalo. O dado mais relevante está na permanência de ambos em patamares elevados e na larga distância que os separa das demais candidaturas.
No eventual segundo turno, Lula registra 47 por cento contra 44 por cento de Flávio Bolsonaro. A diferença nominal é de três pontos percentuais. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos possíveis dos dois candidatos apresentam sobreposição, razão pela qual o cenário deve ser interpretado como uma disputa estatisticamente muito apertada. Na rodada anterior do próprio BTG/Nexus, realizada no início de agosto, Lula aparecia com 46 por cento e Flávio com 45 por cento. As oscilações posteriores, de um ponto para cima para Lula e um ponto para baixo para Flávio, também estão dentro da margem de erro.
Essa comparação é essencial porque pesquisas eleitorais não devem ser analisadas como placares exatos. Uma diferença nominal de três pontos não significa necessariamente que a distância real existente no eleitorado seja exatamente essa. O levantamento trabalha com uma estimativa produzida a partir de uma amostra da população. Por isso, o comportamento de uma sequência de pesquisas tende a oferecer informação mais consistente sobre a eleição do que a interpretação isolada de uma única rodada.
O novo BTG/Nexus entrevistou 2.001 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 7 e 9 de agosto de 2026, por telefone, abrangendo as 27 unidades da Federação e com distribuição proporcional por região. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95 por cento. A pesquisa foi contratada e paga pelo Banco BTG Pactual, ao custo informado de R$ 164.888,89, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 08428/2026.
Quando o BTG/Nexus é colocado ao lado de outros levantamentos nacionais recentes, algumas tendências se tornam mais perceptíveis. O Datafolha, em pesquisa realizada entre 22 e 24 de julho com 2.004 eleitores, apresentou Lula com 48 por cento e Flávio Bolsonaro com 43 por cento no segundo turno. A diferença nominal foi de cinco pontos. O instituto trabalhou com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95 por cento.
A Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto apresentou quadro semelhante em sua direção, embora com percentuais diferentes. Lula marcou 44 por cento e Flávio Bolsonaro 39 por cento em uma simulação de segundo turno, também uma vantagem de cinco pontos. No primeiro turno, a Quaest registrou Lula com 39 por cento, Flávio com 30 por cento, Renan Santos e Ronaldo Caiado com 4 por cento cada e Romeu Zema com 2 por cento. Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
As diferenças entre os percentuais dos institutos são naturais e podem decorrer da metodologia, do desenho amostral, da forma de abordagem dos entrevistados, do questionário, do período de coleta e de outros procedimentos estatísticos. O aspecto mais relevante na comparação não está na coincidência absoluta dos números, mas na direção apresentada por diferentes pesquisas. BTG/Nexus, Datafolha e Quaest colocam Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, embora com distâncias diferentes.
Há, entretanto, um sinal que impede a caracterização de uma vantagem confortável. No próprio BTG/Nexus, a distância entre Lula e Flávio no segundo turno tem permanecido reduzida. Em 27 de julho, o placar era de 47 por cento a 43 por cento. Em 3 de agosto passou para 46 por cento a 45 por cento. Agora está em 47 por cento a 44 por cento. Consideradas individualmente, essas mudanças são pequenas e não permitem estabelecer uma trajetória linear de crescimento ou queda. O conjunto revela uma eleição competitiva na qual pequenas movimentações do eleitorado podem alterar significativamente a distância entre os dois principais candidatos.
Outro dado importante está na consolidação do voto. Segundo a nova rodada do BTG/Nexus, 74 por cento dos entrevistados que indicaram algum candidato no primeiro turno afirmam que sua decisão já está tomada e não deverá mudar até a eleição. Outros 25 por cento admitem que ainda podem alterar a escolha. Entre os eleitores de Lula, 83 por cento dizem estar decididos. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice chega a 80 por cento. Nos grupos classificados pela pesquisa como lulistas convictos e bolsonaristas convictos, os percentuais de voto consolidado chegam a 89 por cento e 84 por cento, respectivamente.
Esse grau de fidelização ajuda a explicar por que as movimentações têm ocorrido em espaços relativamente estreitos. Quanto maior a parcela de eleitores com decisão consolidada, menor tende a ser o universo disponível para mudanças expressivas. Isso não significa que a eleição esteja definida. Uma parcela próxima de um quarto dos entrevistados que já escolheram algum candidato ainda admite mudar de posição, contingente suficientemente expressivo para produzir alterações importantes em uma disputa apertada.
As rejeições representam outra variável decisiva. Flávio Bolsonaro apresenta rejeição de 50 por cento no BTG/Nexus, enquanto Lula aparece com 48 por cento. Os índices mostram que os dois principais candidatos enfrentam resistência elevada em segmentos relevantes da sociedade. Num eventual segundo turno, essa variável poderá ganhar peso porque a disputa deixa de envolver apenas a preferência pelo candidato e passa também pela capacidade de conquistar eleitores que inicialmente escolheram outros nomes ou que rejeitam uma das duas alternativas.
Os indicadores sobre o governo ajudam a completar a leitura. A administração Lula é aprovada por 46 por cento e desaprovada por 49 por cento dos entrevistados. Quando a pergunta trata diretamente da avaliação da gestão, 34 por cento classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 44 por cento o consideram ruim ou péssimo. O contraste entre liderança eleitoral e avaliação governamental demonstra que intenção de voto e aprovação administrativa são indicadores diferentes e não necessariamente caminham na mesma proporção.
A leitura conjunta das pesquisas recentes permite identificar três características centrais neste momento da corrida presidencial. Lula permanece na liderança numérica e aparece à frente de Flávio Bolsonaro nos levantamentos recentes do BTG/Nexus, Datafolha e Quaest. Flávio, por sua vez, consolidou um patamar eleitoral suficientemente elevado para manter competitiva uma eventual disputa direta. Ao mesmo tempo, os demais candidatos continuam muito distantes dos dois primeiros nas principais simulações, reforçando a concentração do debate presidencial em torno dos dois polos.
O que as pesquisas ainda não permitem afirmar é que essa vantagem esteja consolidada de maneira irreversível. Os institutos utilizam metodologias distintas e registram distâncias diferentes entre os candidatos. O BTG/Nexus mostra um segundo turno mais apertado, enquanto Datafolha e Quaest apontam vantagem nominal um pouco maior para Lula. Quando pesquisas independentes apresentam o mesmo candidato numericamente à frente, existe um sinal relevante sobre a posição atual da disputa, mas a magnitude dessa vantagem precisa ser acompanhada ao longo das próximas rodadas.
À medida que a campanha avança para sua fase decisiva, debates, propaganda eleitoral, desempenho econômico, avaliação do governo, alianças políticas, acontecimentos nacionais e a capacidade de cada candidatura de reduzir sua rejeição poderão interferir no comportamento da parcela menos consolidada do eleitorado. A fotografia oferecida neste momento é de liderança de Lula, crescimento da centralidade de Flávio Bolsonaro como adversário e forte possibilidade de uma eleição presidencial disputada.
A principal tendência, portanto, não está em uma suposta definição antecipada do vencedor, mas na consolidação de uma corrida concentrada entre dois candidatos. Lula inicia esta etapa na frente na maioria dos levantamentos recentes analisados, enquanto Flávio permanece próximo o suficiente para manter aberto o resultado de uma eventual disputa direta. Com margens reduzidas e rejeições elevadas dos dois lados, a eleição presidencial de 2026 entra em sua fase decisiva com uma característica cada vez mais evidente. A vantagem existe no retrato atual, mas a disputa continua em aberto.
