Criminoso conhecido como “Maquinista” havia sido condenado a quase 30 anos de prisão e era considerado um dos mais perigosos do estado

O homem apontado como mandante do assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete morreu na madrugada desta quinta-feira (16) durante um confronto com policiais militares, na zona rural do município de Catu, na Região Metropolitana de Salvador.

Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, estava foragido e havia sido recentemente condenado pela Justiça a 29 anos e 9 meses de prisão pelo crime ocorrido em 2023. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a morte aconteceu durante uma tentativa de cumprimento de mandado de prisão. Com ele, foram apreendidos uma arma de fogo e munições.

Considerado um dos criminosos mais procurados do estado, Marílio integrava o chamado “Baralho do Crime” da SSP-BA, figurando como o “Ás de Ouros”, categoria que reúne foragidos de alta periculosidade.

O julgamento que resultou na condenação de Marílio ocorreu na última terça-feira (14), no Fórum Criminal Ruy Barbosa, em Salvador, quase três anos após o assassinato de Mãe Bernadete. A decisão foi anunciada após dois dias de júri popular. Mesmo foragido, o réu foi levado a julgamento porque possuía defesa constituída, conforme prevê a legislação brasileira.

O Tribunal do Júri o condenou por homicídio qualificado, considerando motivo torpe, uso de meio cruel e a impossibilidade de defesa da vítima, além do uso de arma de fogo de uso restrito. Apontado como executor do crime, Arielson da Conceição dos Santos também foi julgado e recebeu a mesma pena de 29 anos e 9 meses de prisão, sendo ainda condenado por roubo.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, dentro de sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Ela foi morta a tiros na presença de familiares, em um crime que gerou forte comoção nacional.

Segundo as investigações, Marílio dos Santos era chefe do tráfico de drogas na região e teria ordenado a execução da líder quilombola devido à oposição firme que ela fazia às atividades criminosas dentro da comunidade.

Reconhecida nacionalmente, Mãe Bernadete atuava na defesa dos direitos territoriais de comunidades quilombolas e no enfrentamento ao racismo e à violência. A morte do mandante encerra uma das principais buscas relacionadas ao caso, mas não reduz a cobrança por responsabilização completa de todos os envolvidos nem a necessidade de proteção a lideranças ameaçadas no país.