Acusações públicas sobre o IFBA transformam evento do governo em Macaúbas em palco de confronto político enquanto demandas urgentes da população seguem sem solução.

O que deveria ser mais uma etapa de escuta popular do Programa de Governo Participativo em Macaúbas terminou com reverberações sobre um um embate político que expôs, diante da população, acusações duras, respostas indignadas e um clima crescente de radicalização do discurso entre governo estadual e adversários. Em meio a cobranças históricas por investimentos estruturantes no Vale do Paramirim, o governador Jerônimo Rodrigues decidiu afirmar publicamente que o prefeito de Macaúbas, Aloísio Rebonato, teria negado terreno para a implantação do IFBA no município.

A acusação foi feita diante de uma plateia mobilizada durante o evento e ganhou repercussão imediata. Registros audiovisuais gravados pela reportagem reforçam que a narrativa foi apresentada em tom enfático, incluindo referência à suposta negativa da gestão municipal para viabilização do Instituto Federal. A versão do governo sustenta que a solução teria ocorrido posteriormente por meio da articulação do ex-prefeito Amélio Costa Júnior, com apoio para disponibilização de área alternativa.

Mas diante da gravidade da afirmação, a reportagem do Jornal O Eco buscou estabelecer o contraditório. Ao ser procurado, o prefeito Aloísio Rebonato recebeu a equipe de forma receptiva e reagiu com forte indignação. Negou categoricamente ter impedido ou dificultado a implantação do IFBA e classificou as declarações do governador como falsas, injustas e ofensivas à sua honra pessoal e à condição institucional de prefeito legitimamente eleito.

Segundo Aloísio, o que ocorreu durante o PGP foi um ataque político incompatível com a postura esperada de um governador de estado. O gestor afirmou ter recebido com imensa tristeza o episódio, especialmente porque, apesar das diferenças partidárias, sua administração teria contribuído para facilitar a logística da passagem do governo estadual por Macaúbas, disponibilizando apoio para o evento e mantendo postura institucional de respeito.

Ainda segundo o prefeito, não havia surpresa quanto ao caráter político da visita. Aloísio afirmou compreender que o governador está em permanente movimento eleitoral e que agendas como o PGP também cumpre papel de aproximação com lideranças e mobilização de apoiadores. O que o gestor diz não esperar era se tornar alvo de acusações públicas durante uma agenda realizada em sua própria cidade, após oferecer acolhimento institucional à comitiva estadual.

A defesa do prefeito se apoia em algo que, segundo ele, desmontaria facilmente a narrativa apresentada no palco do evento. Documentos oficiais, registros administrativos, vídeos institucionais, atas e publicações da prefeitura. De acordo com Aloísio, em maio de 2024 a gestão recebeu equipes técnicas responsáveis pelas avaliações relacionadas ao IFBA e colocou oficialmente dois terrenos à disposição para análise da implantação do instituto no município.

Os registros dessas visitas teriam sido divulgados nos canais institucionais da Prefeitura. Vídeos apresentados pela gestão mostram recepção de equipes técnicas, reuniões e acompanhamento dos procedimentos necessários para estudos de viabilidade. Para o prefeito, tais elementos demonstrariam justamente o contrário do que foi dito pelo governador.

“A verdade sempre precisa prevalecer”, afirmou Aloísio ao Jornal O Eco, sustentando que “jamais adotaria postura contrária à chegada de um equipamento educacional estratégico para o futuro dos jovens de Macaúbas”. Enfatizou continuando: “Ele perdeu a oportunidade de explicar sobre as obras paradas em Macaúbas, estamos há praticamente quatro meses para as eleições, qualquer pessoa em sã consciência acredita que uma licitação, uma retomada ou mesmo uma nova autorização de obra estará pronta até o próximo dois de outubro? E pelo que tudo indica, essas eleições se decidirão já no primeiro turno”. Disse.

O prefeito foi além. Recordou episódio anterior relacionado às agendas sobre o IFBA em Brasília, afirmando que se deslocou para compromissos oficiais após convite institucional, utilizando passagens e diárias previstas para representação do município. Segundo sua versão, viveu naquele momento um dos maiores constrangimentos enquanto gestor público, alegando ter sido impedido de acessar ambiente de reunião enquanto aliados políticos do grupo governista participavam das tratativas.

Aloísio também interpretou as recentes acusações como tentativa deliberada de desgaste político. Em sua avaliação, diante de desafios eleitorais futuros enfrentados pelo grupo governista teria sido construído um ambiente propício para ataques pessoais, substituindo o debate sobre problemas concretos enfrentados pela população.

Enquanto isso, o episódio revela algo que extrapola Macaúbas. A política baiana parece cada vez mais inclinada a discursos inflamados, confrontos pessoais e estratégias voltadas para mobilização emocional. Mas a população mudou. O eleitor observa mais, acredita menos em narrativas prontas e demonstra crescente impaciência com disputas que produzem calor político, mas não entregam resultados concretos.

Ao final, o prefeito lamentou s agressões sofridas e afirmando que “para o cidadão comum interessa é: quando será entregue o IFBA em definitivo, quando serão entregues as obras de estradas inacabadas, quando chegará o hospital regional tantas vezes prometido. Quando a região terá acesso a um centro de hemodiálise capaz de reduzir sofrimento e deslocamentos dolorosos. Quando o sonho de uma universidade pública deixará de ser discurso para virar realidade. Quando investimentos estruturantes sairão das falas para o papel e do papel para o concreto”.

Encerrando o gestor afirmou que, “acusações, versões recheadas de agressão não desviarão o foco do debate político que o povo deseja ver nessa reta final, quando nos aproximamos a cada dia do pleito de 2026. Pois está chegando o julgamento definitivo e este, costuma acontecer longe dos palanques, no silêncio da memória do eleitor e diante das urnas”. Finalizou o gestor.