O caminhoneiro estava acompanhado de um sobrinho que fazia os apelos (Foto: Marcos Paulo | 97NEWS)
 
Há algum tempo que não se via esse tipo de atividade degradante em nossa região. Com o advento da crise financeira, as dificuldades que o país atravessa, muitos se utilizam desses artifícios para comoverem as pessoas e assim, ganharem um pouco mais, explorando a solidariedade allheia.
pode parecer duro e cruel, tratar desse assunto por um ângulo real e sem paixões, pode parecer falta de piedade e até mesmo de caridade.
 
Porém, esse é um assunto delicado, que envolve necessitados de verdade e em muitos casos, viciados em medicancia. 
 
Partindo do princípio de que "a esmola denigre quem dá e humilha quem recebe", devemos refletir sobre tais casos com muito cuidado. Temos observado pelas cidades da região, pessoas deficientes em automóveis, geralmente dirigidos por outra pessoa sadia, que através de serviço de som, clamam por piedade para o doente ou deficiente.
 
A pergunta que nos incomoda: Será que realmente aquela pessoa necessita agir dessa forma, sustentando inclusive que o conduz? Será que essa pessoa não está sendo induzida à pedir esmolas pelas ruas por amigos ou familiares? Apesar da aposentadoria ou benefício ser realmente insuficiente para o sustento familiar, os frutos da arrecadação com esmolas, que tanto humilha o cidadão, estaria indo realmente para esse fim?
 
Vejamos essa reportagem do 97 news de Brumado, que muito bem ilustra a nossa argumentação: "Quem passou pelas ruas do centro da cidade de Brumado na manhã desta quarta-feira (25) se deparou com mais uma história triste narrada em um carro de som, onde eram feitos apelos à população para que se desse uma ajuda financeira. 
 
A reportagem do 97NEWS falou com o motorista Manoel Brás Pereira, que é natural do Estado de Pernambuco e que está na Bahia, de cidade em cidade, pedindo ajuda para viver. Ele relatou que era caminhoneiro, mas que, há 18 anos foi assalto por dois elementos que desferiram vários golpes em sua cabeça atingindo os seus olhos, deixando-o cego, o que fez com que ele tivesse que ficar inativo. 
 
O caminhoneiro que estava acompanhado do seu sobrinho, que dirigia um veículo com sistema de som e que fazia os apelos no microfone, também citou que sua esposa foi vítima de 3 AVCs consecutivos, o que há deixou imobilizada em uma cama e que sua história é trágica e que ele precisa de ajuda para viver, pois só ganha um salário mínimo de aposentadoria. 
 
O caso realmente é triste, mas alguns enxergaram como oportunismo, já que ele tinha uma renda e estavam em um veículo. Alguns caridosos fizeram questão de ajudar, mantendo a velha tradição do bom coração dos sertanejos". 
 
Vale, portanto, refletir, que hoje em dia no Brasil essa questão de esmola esta muito banalizada porque, o brasileiro criou em seu subconciente que ele tem a obrigacao de dar esmola , e no entanto o pedinte aproveita-se disso, criando uma  situacão delicada para as pessoas, ficando ele (o pedinte) em uma zona de conforto. Cabe às Secretarias de Assistência Social de cada município, juntamente com o suporte que julgar necessário, realizar uma melhor averiguação de cada situação desse gênero, realizando os encaminhamentos e orientando adequadamente.
 
(Foto: Marcos Paulo | 97NEWS)
 
A esmola, ao contrário do que imaginávamos no passado, humilha, denigre, vicia, tira a auto- estima, a vontade de crescer como pessoa. Já se dizia que não se deve dar o peixe, mas ensinar o homem a pescar.