A vida, lembrou a nova presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, é assim: ´Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta`. Ao recorrer ao conterrâneo Guimarães Rosa, ela encerrou: ´O que a vida quer da gente é coragem`. Desde as 16h49 de ontem (horário de Brasília), quando recebeu a faixa presidencial das mãos do agora ´ex` Luiz Inácio Lula da Silva, a vida de Dilma esquentou e apertou. Desinquietou de vez. E, acima disso tudo, vai demandar excesso de coragem.
Pela primeira vez em 121 anos de República Federativa do Brasil, do alto dos seus quase 56 milhões de votos, uma mulher foi empossada presidente. ´A vontade de mudança de nosso povo levou um operário à Presidência. A força dessas transformações permitiu que vocês tivessem uma nova ousadia, colocar pela primeira vez uma mulher na Presidência do Brasil`, destacou. Mas a coragem a que se referiu Dilma ultrapassa as barreiras do gênero. No primeiro dia do resto da sua vida, aquele em que, enfim, começou a se desvincular da imagem de Lula, a presidente do país reforçou suas convicções na continuidade – palavra recorrente nos dois discursos proferidos durante as solenidades de ontem, tanto no Congresso Nacional quanto no Palácio do Planalto. Continuidade com personalidade própria, ao que tudo indica. Ontem mesmo, ela abordou questões importantes da sua futura administração, como a solidificação da classe média, erradicação da pobreza e ampliação do ProUni.

