Operação da Rondesp encontra estrutura para produção de documentos de vários estados, além de equipamentos e materiais utilizados nas falsificações

Uma abordagem realizada pela Rondesp Meio Oeste terminou na descoberta de uma estrutura clandestina destinada à produção de documentos falsos em Guanambi, no sudoeste da Bahia. A ocorrência foi registrada na noite de sexta feira, 11 de setembro, e chamou atenção pela quantidade de materiais encontrados e, principalmente, pelo alcance que o esquema pode ter alcançado fora da região.

Segundo informações divulgadas com base em dados da Polícia Militar, a ação começou quando equipes da Rondesp abordaram um motociclista suspeito de envolvimento com falsificação de documentos. Durante a abordagem, o homem teria informado aos policiais sobre a existência de equipamentos, insumos e materiais gráficos utilizados para a confecção ilegal de documentos de identificação e habilitação. A partir dessas informações, os militares chegaram ao local onde funcionaria a estrutura clandestina.

No imóvel, foram encontradas dezenas de impressões de Carteiras Nacionais de Habilitação, algumas prontas e outras ainda em processo de produção. Os documentos apresentavam dados relacionados à Bahia, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Pará, além do Distrito Federal. A variedade de unidades da Federação envolvidas reforça a suspeita de que a atividade não estaria restrita a Guanambi ou ao sudoeste baiano.

A apreensão incluiu ainda quatro impressoras, cerca de 500 ml de codificador invisível fluorescente, material que pode ser empregado na reprodução de elementos de segurança, uma bobina destinada à impressão de comprovantes da Caixa Econômica Federal, um documento de identidade e 35 folhas com características de papel moeda. Também foi encontrado no imóvel um rifle CBC calibre 5.5.

A motocicleta Honda Pop 100 utilizada pelo abordado também foi apreendida. Os envolvidos e todo o material recolhido foram apresentados na Delegacia Territorial de Guanambi, ficando o caso sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá aprofundar as investigações para identificar a origem dos materiais, eventuais compradores dos documentos e a possível participação de outras pessoas no esquema.

A dimensão exata da atividade clandestina e a quantidade de documentos que eventualmente já teriam sido produzidos ou colocados em circulação ainda dependem da investigação. A apreensão, porém, revela uma estrutura que chama atenção não apenas pela quantidade de equipamentos, mas pela presença de modelos de CNHs vinculados a diferentes partes do país, transformando uma abordagem de rotina em Guanambi em uma investigação que poderá ter desdobramentos muito além das fronteiras do município.