Mobilizações registradas neste fim de semana chamam atenção porque lideranças e apoiadores foram às ruas pelo candidato mesmo sem sua presença

A disputa pelo Governo da Bahia ganhou um movimento diferente neste fim de semana. Enquanto ACM Neto e Jerônimo Rodrigues intensificaram suas agendas pelo estado, com caminhadas, carreatas, comícios e encontros políticos, a campanha oposicionista registrou um fenômeno que chama atenção, em diferentes municípios, lideranças e apoiadores foram às ruas em favor de Neto mesmo sem a presença do próprio candidato.

As mobilizações deste fim de semana mostraram uma campanha acontecendo simultaneamente em diferentes pontos da Bahia. Enquanto Neto cumpria sua agenda em determinadas regiões, aliados mantinham movimentos em outros municípios, promovendo caminhadas, adesivaços, visitas e encontros com eleitores. É justamente aí que está o fato político mais interessante. Campanhas eleitorais normalmente concentram suas maiores mobilizações em torno da presença do candidato. Desta vez, porém, a candidatura de ACM Neto começa a demonstrar capacidade de movimentar lideranças e apoiadores mesmo onde ele fisicamente não está.

Guardadas as diferenças de contexto e dimensão, esse tipo de mobilização lembra um fenômeno que ganhou grande visibilidade na eleição presidencial de 2022, a primeira após o período mais duro da pandemia. Naquela disputa, movimentos, lideranças e apoiadores de Lula realizaram atos pelo país mesmo sem a presença do então candidato, ajudando a manter sua campanha permanentemente nas ruas.

Agora, na Bahia, a movimentação deste fim de semana desperta atenção justamente porque começa a apresentar característica semelhante. Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados, candidatos ao legislativo, lideranças comunitárias e eleitores assumem a tarefa de multiplicar a campanha de Neto enquanto o candidato percorre outras regiões.

Jerônimo Rodrigues também teve um fim de semana intenso. O governador seguiu percorrendo municípios, participando de caravanas, caminhadas e atos ao lado das principais lideranças de seu grupo político. A estratégia governista continua baseada na presença do candidato, apoio dos prefeitos e na força de seus aliados, no contexto da estrutura política construída pelo grupo que governa a Bahia há quase duas décadas.

Neto também esteve nas ruas e manteve uma extensa agenda pelo interior. A diferença observada neste fim de semana foi o que aconteceu paralelamente à sua própria movimentação. Enquanto estava em uma cidade, sua campanha continuava acontecendo em outras, impulsionada pelas bases locais.

Não é possível transformar mobilização de rua automaticamente em resultado eleitoral. Politicamente, entretanto, o movimento tem significado. Quando uma candidatura consegue estimular atos mesmo sem a presença do seu principal personagem, demonstra que parte das lideranças e dos apoiadores já não espera o candidato chegar para começar a campanha.

Foi essa a imagem que o fim de semana deixou na disputa pelo Governo da Bahia. Jerônimo e Neto percorrendo o estado, cada um com sua estratégia, mas com um componente novo chamando atenção do lado oposicionista. ACM Neto esteve nas ruas onde sua agenda permitiu. Onde não esteve, aliados e apoiadores também se movimentaram por ele. E esse talvez tenha sido o fato político mais marcante deste fim de semana na campanha baiana.