Jovem de 21 anos permanece hospitalizada após ataque em Vitória da Conquista. Prisão do suspeito reforça a cobrança por punição e proteção efetiva às mulheres

Paloma da Silva Gomes, de 21 anos, tentou encerrar um relacionamento e acabou hospitalizada com queimaduras graves. Segundo familiares, o namorado jogou líquido inflamável sobre ela e ateou fogo no rosto e no corpo da jovem, no bairro Morada Real, em Vitória da Conquista. Investigado por tentativa de feminicídio, Saymon Santos Silva, de 18 anos, foi preso nesta quinta-feira, 29, quando compareceu à delegacia acompanhado de advogado, mediante cumprimento de mandado de prisão preventiva.

Com queimaduras de segundo e terceiro graus em aproximadamente 30% do corpo, Paloma foi transferida para o Hospital Geral do Estado, em Salvador. Segundo a família, ela está grávida e permanece em estado grave. Os familiares também relatam agressões anteriores, controle do celular, restrições para sair de casa e impedimentos ao contato com parentes. A investigação precisa esclarecer esse histórico e todas as circunstâncias do ataque.

O caso expõe a brutalidade da violência contra mulheres que tentam recuperar a própria liberdade. Terminar um namoro é um direito. Nenhuma mulher deve ser ameaçada, aprisionada ou atacada por decidir sobre a própria vida. Ciúme não justifica controle, e o fim de uma relação jamais pode servir de pretexto para uma tentativa de morte.

A prisão do suspeito é uma providência necessária diante da gravidade da acusação, mas a resposta deve avançar com investigação rigorosa e responsabilização nos termos da lei. A proteção às mulheres exige medidas concretas, incluindo afastamento, proibição de aproximação e tornozeleira eletrônica nas situações previstas na legislação, com fiscalização e atendimento imediato aos alertas. Não há confirmação, nas informações consultadas, de que Paloma tivesse medida protetiva antes do ataque.

Paloma precisa de assistência integral, proteção e justiça. Sua história exige mais que manifestações passageiras de indignação. Ameaças, agressões e comportamentos de controle devem provocar intervenção antes que a violência alcance tamanha brutalidade. O Estado tem o dever de agir com firmeza e rapidez para que a liberdade de uma mulher não seja respondida com fogo.