Presidente segue na Casa Branca, mas terá de negociar com a oposição para aprovar leis e o orçamento. A mudança pode abrir espaço para o Brasil discutir tarifas e influenciar decisões de Trump no exterior.
Os eleitores dos Estados Unidos deram uma vitória aos democratas nas eleições de meio de mandato desta terça (3). O partido conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, tirando dos republicanos o comando do Congresso. Donald Trump segue na Presidência. A derrota foi política, pois os eleitores renovaram toda a Câmara e cerca de um terço do Senado em uma campanha marcada pelo alto custo de vida e pelo desgaste com a guerra contra o Irã.
Quando os eleitos tomarem posse em janeiro, os democratas poderão barrar projetos do governo, abrir investigações sobre a administração e exigir mudanças no orçamento. No Senado, a nova maioria também poderá rejeitar indicações de Trump para cargos importantes, inclusive para a Suprema Corte caso surja uma vaga. O presidente mantém o poder de veto, o que dá aos dois lados motivos para negociar e também pode levar a impasses.
Para o Brasil, o efeito mais concreto pode aparecer no comércio. A nova maioria pode pressionar a Casa Branca a rever tarifas sobre produtos brasileiros e abrir espaço para novas negociações. As cobranças em vigor seguem valendo até que uma decisão as altere. No cenário internacional, o Congresso poderá influenciar o volume de recursos destinados à ajuda externa e a operações militares, enquanto a Casa Branca continuará à frente da diplomacia. Para os países que negociam com Washington ou dependem de seu apoio, as primeiras votações do novo Congresso ajudarão a mostrar até onde a mudança nas urnas pode chegar.
