A 1ª Vara Criminal de Ilhéus, situada no Litoral Sul da Bahia, determinou a absolvição de Thierry Lima da Silva das acusações referentes à morte de três mulheres na Praia dos Milionários. A decisão judicial, divulgada nesta terça-feira (3), fundamentou-se na escassez de elementos materiais e provas técnicas que pudessem vincular de forma definitiva o réu aos assassinatos ocorridos em agosto do ano passado. Cinco dias após a sentença, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) interpôs recurso contra a medida.

Ausência de vestígios científicos fundamenta decisão judicial

Durante a fase de instrução processual, o Departamento de Polícia Técnica não obteve êxito em localizar material genético do acusado sob as unhas ou nas partes íntimas das vítimas. Conforme detalhado nos laudos periciais anexados aos autos, a análise de três facas apreendidas pelas autoridades policiais também não revelou a presença de DNA de Thierry Lima da Silva ou das três mulheres mortas.

Apesar da sentença absolutória por insuficiência de provas materiais, o réu continua privado de liberdade. Contra ele pesa um mandado de prisão preventiva expedido em decorrência de outra investigação criminal, que apura o falecimento de seu próprio companheiro após um desentendimento motivado por ciúmes na região.

Investigação policial e repercussão na comunidade baiana

O inquérito conduzido pela Polícia Civil estendeu-se por cerca de quatro meses, período no qual os investigadores examinaram aproximadamente 700 gravações de câmeras de segurança, além de coletarem laudos periciais e depoimentos de testemunhas e familiares. O processo investigativo foi concluído em dezembro de 2025, e a denúncia formal foi apresentada pelo Ministério Público em janeiro de 2026.

O crime gerou forte comoção social em Ilhéus, motivando ao menos três manifestações públicas organizadas por moradores em busca de respostas. As vítimas foram identificadas como Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, e Mariana Bastos da Silva, de 20. Alexsandra e Maria Helena atuavam como profissionais em escolas da rede municipal, enquanto Mariana cursava o ensino superior em Engenharia Ambiental.

Próximos passos e desdobramentos judiciais

O desaparecimento do trio ocorreu em 15 de agosto do ano passado, após saírem para passear com o cachorro de Mariana. Os corpos foram localizados no dia seguinte com marcas de golpes de faca em uma área de mata próxima à Praia dos Milionários. Poucos dias depois, em 25 de agosto, Thierry foi preso e prestou depoimento no qual confessou a autoria dos crimes, alegando perante os policiais ter agido sozinho durante uma tentativa de assalto.

Com a interposição do recurso pelo Ministério Público da Bahia, o processo seguirá para reanálise em instância superior. Até o momento, o Poder Judiciário não estabeleceu uma nova data para a realização de audiências relativas ao triplo homicídio, enquanto a Defensoria Pública do Estado da Bahia não emitiu posicionamentos oficiais atualizados sobre a defesa do réu.

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