A chuva, inquestionavelmente, é uma das coisas mais lindas e maravilhosas que a natureza pode oferecer ao mundo e à vida. Falo de chuva enquanto precipitação pluviométrica, que cai em determinado período e faz festa, alegria na terra, nas raízes e nos brotos, que verdejam as plantações, permite o acumulo de água nos tanques e barragens, chega em forma de alimento e vida para bichos e homens, isso sem se falar no alívio proporcionado ao dar fim nos devastadores incêndios. A chuva, principalmente aqui pelas bandas do sertão baiano, é sempre motivo de alegria, é desejada e muito esperada.
Após um difícil período de seca, aliado à crise no sertão, as chuvas chegam e, ao que parece, devem permanecer por mais dias, aliviando e quem sabe, trazendo alento e libertação a todos aqueles que ainda possuem um pouco de consciência ecológica e lógica, aos que se preocupavam e muito com a situação dos reservatórios, aos que sabem que o fenômeno natural chamado "seca" tem o poder de exterminar espécies, inclusive a humana. se não mata afugenta, desertifica regiões onde se instala a miséria.
Graças aos céus "a chuva chegou", esperamos que as previsões meteorológicas estejam corretas, para que os níveis do Zabumbão, por exemplo, possam voltar ao que eram. Para isso, ainda necessitamos de mais chuvas e também de mais responsabilidade dos administradores. Esperamos que junto com a nossa preocupação, também se dissipe as enfadonhas reuniões teóricas e que vejamos daqui por diante, ações práticas, eficientes e constantes em defesa das nossas reservas naturais, bem como na busca de alternativas de abastecimento para nossos irmãos das diversas localidades, que no fundo, sabem que somente o ZABUMBÃO, ao contrário do que pregam o Governador, Deputados e Secretários, não é "A SOLUÇÃO", isso ficou demonstrado na prática neste período de seca, quando a irresponsabilidade, quase secou o reservatório, chegando a níveis tão baixos, que a possibilidade de secar por completo,era cada dia mais eminente.
Recentemente presenciamos uma ação conjunta de diversos órgãos governamentais e fiscalizadores, que inibiram e até puniram abusos em relação à água e a natureza em nossa região. Porém, além de limitada, em nossa humilde opinião, deixou brechas, como a falta de mais rigor com os garimpos nas nascentes, dentre outras.
Mais uma vez é necessário lembrar, que o encargo maior sempre será nosso, será do povo, dos moradores, que não podem nem devem esquecer este grave problema com a chegada das chuvas. Temos que permanecer mobilizados na defesa do meio em que vivemos. Afinal, todos temos consciência de que as chuvas nesta região por mais que durem, são escassas na maior parte do ano, por isso, ações envolvendo a comunidade, discussões, cobranças devem ser formuladas, alternativas devem ser apresentadas, para que se não podemos exterminar, ao menos possamos conviver dignamente respeitando e zelando para que a nossa fauna, a nossa flora, a nossa água sejam preservadas, para que a vida continue nestas bandas do sertão, apesar de todas as agruras da seca que sempre nos ronda.
