Indignação e desprezo, foi o que senti, quando um "conceituado comentarista" José Nêumane Pinto, em mais uma das suas aparições desastrosas no telejornalismo sulista e preconceituoso do SBT, comentou que: " A Presidenta Dilma parece que avançou no combate a seca e a fome no nordeste, pois os números apontam para uma diminuição dos Saques o que significa menos fome por lá".
Para eles, o nordeste é refúgio de famintos, flagelados, que tem como principal atividade os saques, roubos e crimes para sobreviver. O nordestino é a ralé, merecedora da caridade dos demais estados e da esmola dosada do governo federal.
Não importa se modelo associativo ou padrão pré-estabelecido. "Usado principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade", o uso do estereótipo é motivado, sobretudo, pelo preconceito e discriminação, como consta seu significado na enciclopédia.
Outro exemplo medíocre de jornalismo preconceituoso, vimos quando o mesmo jornalista em outro comentário afirma que os programas estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino" e que isso "se explica pelos altos índices de criminalidade da região", em outros termos e bastando um pouco de discernimento, ele está criando um estigma preconceituoso acerca dos mais de 90 milhões de habitantes dos quase 1.800 municípios existentes nessa região.
Para entender melhor nosso ponto de vista, o jornalista se utiliza dos termos generalistas para tentar explicar as hipóteses içadas sobre a quantidade de programas "policialescos" exibidos no Nordeste, em especial, o "expoente da baixaria baiana" Na Mira e Se Liga Bocão – citados como exemplos, dentre as "aberrações" geradas pelas "produções regionais".
Seguindo a contramão das "produções nacionais das grandes redes", o comentarista diz que a apreciação do nordestino ao estilo citado, exibido dentro do horário que atinge os maiores índices de Ibope na programação das TVs locais, é tida por "horário nobre" dos sítios e que isso faz parte da "tradição que remonta à era cenozóica da TV". Ou seja, os velhos hábitos dos truculentos matutos e flagelados do Nordeste… Eis a chancela discriminatória evidente nas entrelinhas.
O jornalista não conseguiu esconder e deixou escapar sua verdadeira intenção ao traduzir que tal relação pitoresca entre o meio difusor e o expectador nordestino não passam de uma combinação entre baixa qualidade nas produções televisivas e as poucas faculdades intelectuais de um povo.
Um interessante flagrante de contradição pode ser visto quando ele se refere ao programa Sem meias palavras, apresentado pelo repórter Givanildo. Em um mesmo parágrafo o autor cita que "o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino. Isso se explica pelos altos índices de criminalidade da região".
A verdade é que, Sapucaia (MS) tem a taxa média de homicídios mais alta do país, com 107,2 mortes para cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, a cidade de São Paulo lidera o ranking, com 2.546 homicídios (taxa 23,7), seguida pelo Rio de Janeiro, com 2.273 (37,7)."
Um papel simples e ridículo – É incrível o que revela essa pesquisa, visto que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Coronel Sapucaia não fazem parte do "mundo-cão" que assola o Nordeste, mas estão com os maiores índices de criminalidade do país. Para piorar a situação do jornalista, que parece não ver a realidade da pátria em que vive, um dos programas mais popularescos da TV, citado por ele próprio na reportagem, foi "exportado" do Nordeste para as capitais sulistas. O que existe, segundo informações do IBGE, é um aumento substancial do poder de compra das classes menos favorecidas nos últimos anos. Com isso, criar programas que agradem as classes C, D, e E (que são a maioria nacional) é alvo mercadológico que simboliza lucro. Somente a classe C ocupa aproximadamente 44% dos consumidores brasileiros, colocando-os na mira dos especialistas de mercado.
Muitas empresas de bens e serviços já voltaram suas estratégias e campanhas de marketing para as novas classes de poder. E quem não aderiu ao segmento, logo estará criando perspectivas substanciais para atrair quem está inserido na maior parte da população brasileira consumidora. Essa informação, acaba por tornar-se um empecilho para credibilidade de tanta verborragia desnecessária.
As falácias deflagradas em preconceito pela grande mídia acerca do Nordeste e dos nordestinos são recorrentes na história da imprensa e a elas somam-se as evidências de um crime prescrito. É assim na política, no futebol e em todas as outras áreas.
O estereótipo utilizado, limita 90 milhões de habitantes a um simples e ridículo papel de consumidor da miséria humana. Mais uma vez, parece desconhecer o público com o qual se comunica. E esquece que esse mesmo público consumidor do "mundo-cão" é responsável por 29% das aquisições da sua TV milhões de expectadores, é mais um exemplo de quem vê o Brasil com a cabeça sulista, limitada e preconceituosa.
