Hit que viralizou nas redes sociais chegou à Justiça Eleitoral e levou ao debate sobre a liberdade de escolha do eleitor baiano

Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE
O chamado voto Lula-Neto, fenômeno que ganhou repercussão nas redes sociais e chegou à Justiça Eleitoral, foi um dos temas abordados por ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, durante sabatina promovida pelo Grupo A TARDE nesta quinta feira, 20.
A discussão ganhou força após a circulação de um hit que defende Luiz Inácio Lula da Silva para presidente e ACM Neto para governador. A combinação levou a coligação do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, a recorrer à Justiça Eleitoral sob o argumento de que o conteúdo poderia confundir o eleitor ao sugerir uma aproximação política entre Lula e Neto.
O pedido de retirada imediata da publicação foi negado em decisão liminar pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia. Na análise inicial, a Justiça considerou não haver elementos suficientes para vincular o material à campanha de ACM Neto, admitindo a possibilidade de manifestação individual de preferência eleitoral. A decisão é provisória e o mérito ainda será analisado. Até o momento, não há comprovação de participação da campanha de Neto na produção do hit, cuja autoria permanece desconhecida.
Questionado durante a sabatina sobre o voto de eleitores que apoiam Lula para presidente e sua candidatura ao governo estadual, ACM Neto defendeu a autonomia do eleitor para escolher candidatos de diferentes grupos políticos.
“Ninguém tem obrigação de votar em partido vertical para presidente, senador ou deputado. Cada um pode fazer a sua escolha. Eu estarei preparado para governar a Bahia com o presidente que o Brasil escolher”, afirmou.
Apesar de defender a liberdade para o voto cruzado, Neto reafirmou apoio a Ronaldo Caiado na disputa presidencial e disse que continuará pedindo votos para seu candidato, respeitando as alianças partidárias e a decisão individual do eleitor.
A repercussão do voto Lula Neto coloca em evidência uma questão que ultrapassa a disputa entre as campanhas. Embora partidos e candidatos defendam suas próprias alianças, o eleitor pode distribuir seus votos entre diferentes forças políticas. A combinação entre Lula e Neto, portanto, não significa a existência de uma aliança entre os dois candidatos, mas traduz uma possibilidade de escolha que ganhou dimensão política, eleitoral e agora também judicial na campanha baiana.
