Antigos aliados, João Vitor e Tito Eugênio agora trocam acusações públicas após aproximação com adversários, áudio vazado e exoneração da esposa do vice-prefeito, aprofundando uma crise que já vinha sendo alimentada nos bastidores
A política de Riacho de Santana atravessa uma forte turbulência com o rompimento entre o prefeito João Vitor Martins Laranjeira e o vice-prefeito Tito Eugênio Cardoso de Castro. Antigos aliados, os dois agora protagonizam uma crise pública que envolve troca de declarações, aproximação com adversários, áudio vazado em grupos de mensagens e mudanças dentro da administração municipal.
A relação entre os dois tem uma trajetória peculiar. Tito, que já governou o município em diferentes mandatos, renunciou à prefeitura em abril de 2024 e João Vitor, então vice, assumiu o Executivo. Meses depois, permaneceram juntos na eleição municipal, mas com as posições invertidas. João Vitor disputou e venceu a prefeitura tendo Tito como vice.
Os primeiros sinais mais evidentes de desgaste apareceram depois do afastamento de João Vitor em outubro de 2025, no contexto da Operação Overclean. Tito assumiu interinamente a Prefeitura por 109 dias. Quando João Vitor retornou ao cargo, em fevereiro deste ano, declarações sobre a situação administrativa provocaram reação do vice, que divulgou vídeo defendendo sua passagem pelo comando municipal.
A crise ganhou outra dimensão neste mês de agosto, quando Tito apareceu publicamente ao lado do ex prefeito Alan Antônio Vieira, antigo adversário do grupo governista. As imagens circularam rapidamente e foram interpretadas no meio político como sinal de aproximação com a oposição.
Em seguida, um áudio atribuído a Tito, contendo críticas e questionamentos ao prefeito, começou a circular principalmente pelo WhatsApp e redes sociais, aumentando a repercussão do rompimento. Por se tratar de uma gravação difundida inicialmente por aplicativos de mensagens, seu conteúdo exige cautela quanto ao contexto e à reprodução integral das declarações.
João Vitor reagiu publicamente e classificou a atitude do vice como uma verdadeira traição. O prefeito afirmou que Tito acompanhava a administração, participava de reuniões e mantinha pessoas próximas ocupando espaços importantes no governo, deixando evidente que a relação política entre os dois havia chegado a um ponto praticamente irreversível.
A ruptura também produziu consequência imediata dentro da Prefeitura. Na quarta feira, 19 de agosto, João Vitor exonerou Nádia Beatriz Fernandes Cardoso de Castro, esposa de Tito, do comando da Secretaria Municipal de Assistência Social. A decisão foi oficializada no Diário Oficial e Viviane Barbosa de Andrade foi nomeada para assumir a pasta.
Tito também se manifestou publicamente após a exoneração da esposa e a repercussão da crise, apresentando sua versão dos acontecimentos. As declarações dos dois lados confirmaram que as divergências deixaram definitivamente os bastidores e passaram a ocupar o centro do debate político municipal.
O episódio chama atenção principalmente porque envolve dois políticos que até recentemente compartilhavam o mesmo projeto. Tito foi prefeito com João Vitor como vice, renunciou e entregou o comando ao aliado, depois aceitou inverter as posições na eleição e chegou novamente à Prefeitura durante os 109 dias de afastamento do titular. Agora, estão politicamente separados.
Entre áudios, declarações, exonerações e novas aproximações, o racha muda o cenário de Riacho de Santana e indica que a disputa entre antigos aliados pode estar apenas começando, com possíveis reflexos nas alianças atuais e, principalmente, na sucessão municipal de 2028.
