O governador da Bahia Rui Costa (PT) disse, nesta quinta-feira, 1º, na cerimônia de posse, que inicia o governo num cenário de "aperto" e de "ajuste fiscal e macroeconômico" no País. "Não será um ano de folga nem para estados nem para municípios", antevê o novo governante, que, em seu discurso, prometeu fazer uma gestão austera e eficiente.

Assumindo com a missão de tocar o terceiro governo consecutivo do PT na Bahia, Costa adiantou que estará "na linha de frente" dos governadores que vão lutar por uma nova fonte de financiamento para a Saúde.

O petista evitou falar em retorno da CPMF – o tributo cobrado sobre movimentações financeiras extinto em 2007 e que o ex-presidente Lula da Silva considera como a maior derrota de seu segundo mandato.

Costa defende, no entanto, verba adicional para a saúde pública, justificando que os governos, mesmo com toda a eficiência buscada na gestão, não têm conseguido atender à população.

Ele disse que, para "dar a arrancada" do  seu governo em 2015, contará apenas com recursos de contratos em andamento, como empréstimos e repasses, mas não acredita que investimentos de transferência da União ocorram nos próximos meses.

"Novos aportes de investimentos só devem acontecer no segundo semestre, na melhor das hipóteses", afirmou Costa, que sucederá o ex-governador e agora ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Para enfrentar este momento de dificuldade financeira, o governador disse não ver outra alternativa a não ser o de "refinar e melhorar" a gestão do Estado em todas as áreas, para seguir o ritmo de investimentos planejados para os próximos quatro anos.

Sobre o pleito por mais recursos para a saúde, Rui Costa adiantou que não se trata de defender a criação de um novo imposto. "É preciso entender que houve uma mudança do perfil demográfico da população brasileira. Diminuiu rapidamente a quantidade de nascimentos e de pessoas jovens e cresceu a expectativa de vida e, com isso, cresceu o número de adultos e idosos, elevando o custo da saúde em termos exponenciais", explicou ele.

Bater Laje

Numa cerimônia cheia de emoção, em que chorou ao falar do pai metalúrgico como ele e da mãe doceira, já falecida, Rui Costa não esqueceu do padrinho político, o ex-governador Jaques Wagner, a quem se referiu como "um dos melhores governadores da história da Bahia".

Rui falou da infância humilde e dos amigos da Liberdade, bairro negro de Salvador, onde disse que aprendeu o significado da palavra comunidade que, segundo ele, se materializava aos domingos em "mutirões com direito a feijoada para bater a laje do vizinho". Houve um momento de quebra de protocolo, que retratou o clima familiar que marcou a posse, quando Rui cumpriu parte de seu discurso com a filha Marina, de 1 ano e 9 meses, em seu  colo.

Durante o discurso de posse como governador da Bahia, Rui Costa lembrou da trajetória de sua mãe, Maria Luiza dos Santos, que realizou trabalhos sociais no bairro da Liberdade, onde ele nasceu e passou a infãncia.
 
A emoção tomou conta do novo governador, que não segurou o choro e foi obrigado a parar algumas vezes. Além da mãe – falecida há 20 anos -, Rui também agradeceu a presença do pai, o ex-metalúrgico Clóvis dos Santos, à mulher, Aline, aos filhos, irmãos e amigos de infância.
 
"Meu pai ajudou muito na formação do meu caráter e da personalidade, mas quem estruturou a minha alma foi a luta da minha mãe e de mulheres como dona Marilene (ex-vizinha, que estava presente na solenidade) que por vezes abandonavam a própria família para cuidar das crianças da rua", relatou.
 
Rui também saiu do discurso para citar passagens de sua vida, como a luta sindical e a amizade de 32 anos com o ex-governador Jaques Wagner. "Agradeço ao governador Jaques Wagner pela sua importância na minha vida pública e nesta conquista, que é de todos nós. Com tudo isso, também vem a responsabilidade de substituí-lo na condução de um estado de tamanha importância como a Bahia".
 
Prioridades de governo
Rui revelou que as principais diretrizes que vão nortear seu mandato são a inclusão social e o desenvolvimento, com o objetivo de gerar mais empregos e oportunidades para a população.
 
"Há oito anos, estávamos aqui mudando o curso da história e as prioridades do estado da Bahia, que hoje é bem diferente daquela que encontramos. A Bahia mudou, e para melhor. Podemos afirmar que Jaques Wagner foi um dos melhores governadores da história deste estado. Ele realizou uma revolução silenciosa, democrática, feita com lápis e papel, portas e janelas, água, luz e novas oportunidades para todos os baianos".