PREFEITOS DO NORDESTE VOLTAM DE REUNIÃO DE MÃOS VAZIAS

Os dirigentes das entidades estaduais do Nordeste negociam com a União soluções para a seca desde março deste ano. Depois de mais uma das inúmeras reuniões que aconteceram, os dirigentes voltam para os seus estados de mãos vazias. O encontro desta terça-feira, 21, ocorreu no Ministério da Integração em Brasília. Os dirigentes levaram um oficio elaborado em conjunto com a Confederação Nacional de Municípios (CNM) com propostas para o combate à seca, conforme acertado com o ministro da Integração, Fernando Bezerra, em reunião anterior.

Os prefeitos saíram insatisfeitos do encontro, pois nenhuma das propostas foi atendida. O Ministério ofereceu um auxílio de R$ 100 milhões dentro do Programa Água para Todos para a construção de barragens e pequenos sistemas de abastecimento de água, na tentativa de acalmar os ânimos dos prefeitos.

O problema é que nenhum município que esteja no Cadastro Único de Convênios (CAUC) poderá receber o repasse que ainda terá que ser acertado via comitê estadual. De acordo com estudo da CNM divulgado em abril deste ano, 96,4% dos municípios brasileiros não podem celebrar convênios com o governo federal em razão de restrições junto ao Cauc. “Se 96% dos Municípios estão com problemas no Cauc alguma coisa deve estar errada no Sistema de Transferências Voluntárias da União para com os Municípios e precisa ser revisto”, alerta o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

A insatisfação dos dirigentes das estaduais foi geral. O vice-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), José Bonifácio Marques, destacou que toda vez que os prefeitos vai a Brasília a expectativa da população aumenta, para que os gestores voltem com resultados. “Na Bahia estamos com 275 municípios em situação de emergência. É um dos Estados em situação mais grave e as soluções sempre chegam atrasadas. Nós recebemos este mês não sei quantas toneladas de milho, mas vai alimentar o quê já que o gado já morreu”, indaga.

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota, ainda alertou que a situação da seca vai piorar nos próximos meses. “Agora vai chover um pouco no inverno, mas não vai recuperar os mananciais, nem rebanhos, e teremos um período tenebroso agora em junho, que dura até setembro”, adianta. (CNM)