
Amanhã celebraremos o Natal. Dentre muitas lições que podemos tirar do presépio, poderíamos confrontar a família daqueles personagens com os modelos de família que o mundo atual nos apresenta.
Olhemos primeiro para o pai do Menino, que dorme tranquilamente na manjedoura. Trata-se de um homem simples, trabalhador, dedicado, generoso. A razão da sua vida tem sido dedicar-se à esposa e, a partir do nascimento, também ao Filho. Não o encara como posse, mas como um ser humano de um imenso valor a quem cabe cuidar, educar e servir.
Mas não é só ao Menino que aquele pai se dedica com profundo amor e respeito. Também a esposa ocupa um lugar naquele coração enamorado. Antes do nascimento tomara a resolução de ser o seu esposo e fiel protetor pelo resto da sua vida. E levou a cabo essa missão com valentia, ainda que não poucos dissabores e dificuldades a vida tinha reservado para si e para aqueles a quem tanto amava.
Voltemos agora nossa atenção para a Mãe, que contempla o Menino com imensa ternura. Cuidar com o carinho dEle passou a ser a razão da sua vida. No entanto, isso não rouba a atenção e desvelo devidos ao seu amado esposo. Não é demasiado apelo à imaginação pensar na dedicação com que ela arrumava a casa – extremamente simples – para que o marido encontrasse um remanso acolhedor ao final de uma jornada de trabalho extenuante.
E assim viviam aquele Pai e aquela Mãe do Menino que contemplamos no presépio: totalmente esquecidos de si, cada um vivendo para o outro. E esse amor transbordante se derramava copiosamente sobre o menino.
Vivemos num tempo conturbado, repleto de incertezas e ideias confusas. Talvez a mais terrível delas é a que ataca o único verdadeiro conceito de família. Essa sempre foi e sempre será formada por um pai e por uma mãe, que se unem por amor. Mais que isso, assumem um compromisso público e perene de se amarem cada vez mais. E dessa união nascem os filhos.
Os filhos, portanto, vêm ao mundo com o direito (inalienável, como diriam os juristas) de ter um pai e uma mãe juntos até que a morte os separe. Mais ainda, trazem gravados de maneira indelével em seu coração o anseio de se sentirem e serem de verdade frutos desse amor.
Não se ignora que bem outra é a realidade em que vivemos. Há um número imenso de filhos nas chamadas famílias monoparentais, ou seja, criados apenas pelo pai ou pela mãe, ou mesmo órfãos de pais vivos, criados por avós, parentes ou em instituições, aguardando por uma família que os acolha. E, mesmo aquelas que contam com pai e mãe que vivem juntos, não raras vezes não se encontra um esforço verdadeiro para viver a harmonia que contemplamos no presépio.
Ao descrevermos acima o único modelo verdadeiro de família, talvez se possa sugerir uma postura discriminatória em relação às crianças que não são criadas nessa situação. No entanto, estamos a sustentar precisamente o contrário. Essas deveriam contar com nosso carinho redobrado, pois são, essencialmente, seres humanos que tiveram um direito fundamental violado: o de nascerem, se desenvolverem e viverem no seio de uma família.
A família não é uma reunião de pessoas unidas exclusivamente pelo vínculo do afeto. É inegável que a afetividade deve ser vivida e cultivada muito especialmente entre os seus membros. Para isso, porém, é necessário também o compromisso. Há de ser conduzida por seres essencialmente diferentes (homem e mulher) e que precisamente por serem diferentes se complementam, cada um dando ao outro o que esse não tem.
Os filhos, frutos desse amor conjugal, necessitam de ambas as figuras (pai e mãe) que se complementam também na educação, cada qual dando à prole o que lhes é próprio. Ambos educam com um amor imenso, mas com o seu jeito muito peculiar de amar, dado pela própria natureza ao pai e à mãe.
Que esse tempo de Natal nos traga também a reflexão. Grande parte dos problemas que hoje vivemos decorre de que a família tenha se desviado daquilo que verdadeiramente é. E que o modelo da família de Nazaré volte a brilhar em nossos corações, em nossas famílias, na nossa sociedade e no mundo inteiro.
A todos um feliz e santo Natal!
